6.2.12

Fui eu




Fui eu, sim.
Machuquei você.
... Não foi sem querer,
mas não pude evitar.

É... não há como.
Fui eu também
que a paixão deixei envolver,
mas paixão vai...

Também fui eu.
Alimentei com palavras,
sentidos, silêncios, vazios
e o deixei vazio.

Não escondo.
Fui eu e minha sede
que o colocaram na parede
e o deixaram sem ar.

E eu? Eu nem me culpo.
Sou esse desconforto
Minha vida é um alvoroço
e, quem sabe?, o fez sonhar.

Mas se o alcei aos céus,
não o fiz cair ao mar.
Não prometi 'para sempre'.
Nem mesmo disse 'nunca' para o fim.

Mas fui eu que o desiludi.
É, fui eu que o magoei
Responsabilidade minha tudo que fiz
e destronei.

E na intensa taquicardia
de rimas pobres, clichês tardios
usados para contar
a história da qual sou acusada.

Nem vou negar.
Fui eu.

3.1.12

S/T

14.11.11

HISTÓRIAS ETÍLICAS

Esta coisa de enroscar Letras na madrugada, levanta uivos, sóbrios e loucos. Esta coisa de arrancar (a)pelos nos bares de bafejo em bafejo, diz quase tudo.
Sopros de (des)afetos nos escombros dos homens, dizem muito...


Conta, tua vida que vale mais do que pares de dólares furados! Enquanto finjo que me distraio por entre sombras e a fumaça, dançando no meio da multidão faminta que pensa que compreende todas falas do Amor.


Ca-dá-ve-res, que nada lêem do silêncio, de um... e outro.


rô_alib

Atibaia, 14 de novembro de 2011



*


Yusuf Islam - Don't Let Me Be Misunderstood
http://www.youtube.com/watch?v=bwNbsrGHa7s&feature=related



24.10.11

POETA SEM MUSA




Com os dois pés na lama,
o que pode ser creditado:
M _ _ d _ não afunda.

Rosangela_Aliberti
Atibaia, 24 de outubro de 2011

9.10.11

Inversiva


Imagem :Gustav Klimt


Inversiva________

Mas do que é feita minha loucura
Senão de doses gritantes
De vontades efêmeras
E minha brancura?

E se fosse de fissura
Pelo teu sêmen
Gotejando paredes
Que nunca temem
Exímias sedes?

E se por acaso fosse do emaranhado
De extintas redes que nunca deitaste
E cativo ficasse deslizando pernas e músculos
A procurar crepúsculos nunca sonhados
E se enroscasse em minha metátese?

4.10.11

Prece


I

Que ele não seja
sacro.

Mas apenas fiel,
alimentando os sonhos antigos

E que ainda me reserve um tempo
Que ainda me estenda às mãos
e conte estrelas comigo.

Para que o fim do dia
Ainda pareça
manhã

II

Amanhã.

Que o amor ainda seja capaz
de habitar as frestas da janela
e de entoar mantras ao silêncio

para as cigarras, para os rios
para as singelezas das nuvens

até quando a noite alta aparecer.

III

Anoitecendo

Para que eu consiga
ser esperançosa
Mesmo quando a porta
entreaberta
apenas mostrar os raios de escuridão

Que vem de dentro.

E que mesmo que aqui fora
a última luz também esteja esmaecendo.

IV

Que este amor me veja.
Além das aparências, das placas de vidro fosco
[que separam a certeza
dos medos]
Além da grama alta dos meus olhos
E da armadura.

Que este amor me veja.

V

E que seja antes da última vez

(Jessiely Soares)

21.9.11

Dedicatória



Ao falso príncipe, ser incorpóreo,
semi - existente, quase lendário.

Ao imprevisto eclipse
que fingiu ser cúmplice
quando era adversário
e me corrompeu a sensatez
aos poucos.

Ao monstro agreste
que me obrigou a escolher um lado,
esquerdo, direito,
o que importa agora?

Invariávelmente era o lado errado.

Logo eu que sempre fui a Suíça,
virei tirana, doida varrida,
uma desvairada.

Fiz guerras civis, afrontei deuses,
vociferei e comprei brigas.

A ele, muito obrigada.

12.9.11

DIDÁTICA



mesmice, tédio

tédio mesmice

a mesma baixela de prata

e a finíssima porcelana

mais a velha toalha rendada

o casamento, a aliança

a aliança o casamento

nenhuma surpresa

nada inesperado

nenhuma criança

“é a lama! é a lama!”

mesmice, tédio

tédio mesmice

muito se engana

quem entra em naufrágios

ceci n’est pas une histoire

quantos tiros no escuro!


“ceci n’est pas une pipe”


se formas lembram imagens

por vezes

não passam de

mera subjetividade


e... quem muito crê,

nada na burrice.


Rosangela_Aliberti

Atibaia, set/2011

art by Magritte

11.9.11

recado público

quando redefinir teus poros
catalogar fracassos
tentativas frustradas
vômitos vazios
por falta de fome

e enfim assumir
o beijo seco e parco
pela gula que tinha-me

procura-me nos classificados
de domingo!
é lá que publico
erroneamente, meus olhares
desprezados

encontre artigos por meu nome:
Diva Etérea Estéril Doidivanas e tua.

7.9.11

Tormento



Fizeste o primeiro corte
dos cem a que tens direito
(tortura indolor, descomedida).

Precisão cirúrgica.

Escondida,
a marca(sanga)
silenciosamente sangra
teu vinho tinto de curare.

Preciso da tua língua
na minha: curativo.

Preciso do teu sexo
que me invade: curetagem.

Senão,
empalideço devagar, Curandeiro.

Morte tardia,
cada corte aos poucos te esvai
e deixará minha boca fria.

E tu escorrerás pelo bueiro.

29.8.11

LOTAÇÃO NESTA CASA: quase VAZIA

Acho “lindo” quem se diz escritor, professor e/ou poeta da nova geração e não se dispõe a reconhecer textos apócrifos, e quando vê textos falsos é condizente nos repasses, não alertando o que sabe (seja em qual for o veículo de comunicação) aliás, retiro a ironia, acho PÉSSIMO porque atesta a ausência de gosto pela pesquisa, para mim este camarada é um amante da Literatura entre aspas, pois na fogueira das vaidades dá sinais de estar mais preocupado com o próprio umbigo, deve ser muito mais animado participar do cordão dos puxa-sacos que vivem classificando os trabalhos de outrem “grande nisto ou naquilo outro” (será que conseguem ler bem a... si mesmos?)


É, rosas tem espinhos e palavras tem o peso de pedras, do dia para noite não dá para se consertar o mundo... será que poderíamos convocar pessoas à pensar ao colocarmos a boca no trombone? O que se aprende com os Mestres é que é BONITO: - Bem-aventurados aqueles que lêem os considerados minúsculos e até as observações das bulas.


Quanto a números (de leituras - forjados ou não... e “títulos”) no meio da Arte?!


BEM-AVENTURADOS os Verdadeiros Humildes que não tiveram seus nomes nas cadeiras da Academia Brasileira de Letras estes sim, são: hors concours.


(rosangela_aliberti, Atibaia, ago/2011)

*


art by Mark Rayen

24.8.11

Intenso



Nós dois,
tramados em cetim violento.

Amor de cortar os pulsos
até chegar no osso.

Amor de olhos inchados
e marcas violáceas no pescoço.

Cama convulsa.

Pulsa
e jorra da pele molhada
combustível
de alta inflamabilidade

Minha beleza fagulha
e explode
tua insanidade.

Tóxica.

Monóxida
de carbono,
mata por asfixia.

8.8.11


asas escapam das escápulas.
escapulo em um salto sem pressa e voo plena.
traço planos entre as copas verdes das vermelhas cópulas.
fagulho- me sobre frutíferas florestas.
espalho o pólem dos mistérios de amores ungidos, que pela doçura de um milagre floreiam em festa.
ardo em flores e fome, queimo em seivas e mel, curo dores e adoço o fel.
por mero acaso, desacato o ranço do descaso.
no fim do ato, serena pouso e com um sorriso raro, aceito aplausos.


(sheyladecastilhoº

3.8.11

só uma onda que ri


só uma onda aos ritmos


podia ser água

e a certeza com que se espalha,

o resto

(palavras em poços

a reflectir

circunferências na superfície)

tende a magoar


quando rodas sobre ti

a velocidade não serve de nada

o vento é só teu

os extremos a tua curvatura

e o sopro do poço vem devagar


deixar duas dimensões à solta de não saber

não deslizar pelas lâminas circulares

entre uma e outra ir saltando

sem violino

ao ritmo de ecos


se o cérebro é maior que o mundo

que o segundo não caiba no primeiro

não se cria energia quando tremo

pela rotação de uma palavra


rir contigo

nos teus modos de ondulação

montar um touro azul e entrar pelo poço ao vento

que não se afaste assim a matéria com medo do escuro

(às vezes despeço-me dos bichos

com um dedo que não é mão)


quero dar um beijo a um átomo

sei que se amam quando se rodeiam

deitar-me com um planeta

contra todos os contractos

que me trouxeram a esta escala sem lugar


também tenho medo do escuro

por mim seguia na água

até ao lugar comum

esse espaço inocente

que se abre entre as sobrancelhas dos bichos

onde se come a energia exacta para comer

a boca não sabe a época


mas ouvimos o fundo dos poços

há uma exacta inclinação das variáveis

para lhes espreitar


e ela ri-se com

a rotação de todos os polegares

na inclinação exacta de nos amar


31.7.11

arestas




tuas letras cascateiam
despencam pelas arestas
vestidas de hecatombe

elas espreitam

vastas e vazias
as palavras ressoam

mortas e agourentas

são assovios no vento frio
fantasmas de acertos, erros e fados

no céu escuro as vozes troam
reboando sibilantes

relâmpagos alumiam instantes

“But don't play with me,
'cause you're playing with fire”

partem-me a cabeça
nessa epifania esquisita

febre

milhares de cacos tilintam
minhas almas espargidas pelo chão

não escute o sonido

cobre os ouvidos
cerra teus olhos
trinca bem os dentes

e espera a treva