6.2.12
Fui eu
3.1.12
14.11.11
HISTÓRIAS ETÍLICAS
Conta, tua vida que vale mais do que pares de dólares furados! Enquanto finjo que me distraio por entre sombras e a fumaça, dançando no meio da multidão faminta que pensa que compreende todas falas do Amor.
Ca-dá-ve-res, que nada lêem do silêncio, de um... e outro.
rô_alib
Yusuf Islam - Don't Let Me Be Misunderstood
http://www.youtube.com/watch?v=bwNbsrGHa7s&feature=related
24.10.11
POETA SEM MUSA
9.10.11
Inversiva

Imagem :Gustav Klimt
Inversiva________
Mas do que é feita minha loucura
Senão de doses gritantes
De vontades efêmeras
E minha brancura?
E se fosse de fissura
Pelo teu sêmen
Gotejando paredes
Que nunca temem
Exímias sedes?
E se por acaso fosse do emaranhado
De extintas redes que nunca deitaste
E cativo ficasse deslizando pernas e músculos
A procurar crepúsculos nunca sonhados
E se enroscasse em minha metátese?
4.10.11
Prece
I
Que ele não seja
sacro.
Mas apenas fiel,
alimentando os sonhos antigos
E que ainda me reserve um tempo
Que ainda me estenda às mãos
e conte estrelas comigo.
Para que o fim do dia
Ainda pareça
manhã
II
Amanhã.
Que o amor ainda seja capaz
de habitar as frestas da janela
e de entoar mantras ao silêncio
para as cigarras, para os rios
para as singelezas das nuvens
até quando a noite alta aparecer.
III
Anoitecendo
Para que eu consiga
ser esperançosa
Mesmo quando a porta
entreaberta
apenas mostrar os raios de escuridão
Que vem de dentro.
E que mesmo que aqui fora
a última luz também esteja esmaecendo.
IV
Que este amor me veja.
Além das aparências, das placas de vidro fosco
[que separam a certeza
dos medos]
Além da grama alta dos meus olhos
E da armadura.
Que este amor me veja.
V
E que seja antes da última vez
(Jessiely Soares)
21.9.11
Dedicatória
Ao falso príncipe, ser incorpóreo,
semi - existente, quase lendário.
Ao imprevisto eclipse
que fingiu ser cúmplice
quando era adversário
e me corrompeu a sensatez
aos poucos.
Ao monstro agreste
que me obrigou a escolher um lado,
esquerdo, direito,
o que importa agora?
Invariávelmente era o lado errado.
Logo eu que sempre fui a Suíça,
virei tirana, doida varrida,
uma desvairada.
Fiz guerras civis, afrontei deuses,
vociferei e comprei brigas.
A ele, muito obrigada.
12.9.11
DIDÁTICA

“ceci n’est pas une pipe”
se formas lembram imagens
e... quem muito crê,
Rosangela_Aliberti
11.9.11
recado público
catalogar fracassos
tentativas frustradas
vômitos vazios
por falta de fome
e enfim assumir
o beijo seco e parco
pela gula que tinha-me
procura-me nos classificados
de domingo!
é lá que publico
erroneamente, meus olhares
desprezados
encontre artigos por meu nome:
Diva Etérea Estéril Doidivanas e tua.
7.9.11
Tormento
Fizeste o primeiro corte
dos cem a que tens direito
(tortura indolor, descomedida).
Precisão cirúrgica.
Escondida,
a marca(sanga)
silenciosamente sangra
teu vinho tinto de curare.
Preciso da tua língua
na minha: curativo.
Preciso do teu sexo
que me invade: curetagem.
Senão,
empalideço devagar, Curandeiro.
Morte tardia,
cada corte aos poucos te esvai
e deixará minha boca fria.
E tu escorrerás pelo bueiro.
29.8.11
LOTAÇÃO NESTA CASA: quase VAZIA
Acho “lindo” quem se diz escritor, professor e/ou poeta da nova geração e não se dispõe a reconhecer textos apócrifos, e quando vê textos falsos é condizente nos repasses, não alertando o que sabe (seja em qual for o veículo de comunicação) aliás, retiro a ironia, acho PÉSSIMO porque atesta a ausência de gosto pela pesquisa, para mim este camarada é um amante da Literatura entre aspas, pois na fogueira das vaidades dá sinais de estar mais preocupado com o próprio umbigo, deve ser muito mais animado participar do cordão dos puxa-sacos que vivem classificando os trabalhos de outrem “grande nisto ou naquilo outro” (será que conseguem ler bem a... si mesmos?)
É, rosas tem espinhos e palavras tem o peso de pedras, do dia para noite não dá para se consertar o mundo... será que poderíamos convocar pessoas à pensar ao colocarmos a boca no trombone? O que se aprende com os Mestres é que é BONITO: - Bem-aventurados aqueles que lêem os considerados minúsculos e até as observações das bulas.
Quanto a números (de leituras - forjados ou não... e “títulos”) no meio da Arte?!
*
24.8.11
Intenso
Nós dois,
tramados em cetim violento.
Amor de cortar os pulsos
até chegar no osso.
Amor de olhos inchados
e marcas violáceas no pescoço.
Cama convulsa.
Pulsa
e jorra da pele molhada
combustível
de alta inflamabilidade
Minha beleza fagulha
e explode
tua insanidade.
Tóxica.
Monóxida
de carbono,
mata por asfixia.
8.8.11
asas escapam das escápulas.
3.8.11
só uma onda que ri

só uma onda aos ritmos
podia ser água
e a certeza com que se espalha,
o resto
(palavras em poços
a reflectir
circunferências na superfície)
tende a magoar
quando rodas sobre ti
a velocidade não serve de nada
o vento é só teu
os extremos a tua curvatura
e o sopro do poço vem devagar
deixar duas dimensões à solta de não saber
não deslizar pelas lâminas circulares
entre uma e outra ir saltando
sem violino
ao ritmo de ecos
se o cérebro é maior que o mundo
que o segundo não caiba no primeiro
não se cria energia quando tremo
pela rotação de uma palavra
rir contigo
nos teus modos de ondulação
montar um touro azul e entrar pelo poço ao vento
que não se afaste assim a matéria com medo do escuro
(às vezes despeço-me dos bichos
com um dedo que não é mão)
quero dar um beijo a um átomo
sei que se amam quando se rodeiam
deitar-me com um planeta
contra todos os contractos
que me trouxeram a esta escala sem lugar
também tenho medo do escuro
por mim seguia na água
até ao lugar comum
esse espaço inocente
que se abre entre as sobrancelhas dos bichos
onde se come a energia exacta para comer
a boca não sabe a época
mas ouvimos o fundo dos poços
há uma exacta inclinação das variáveis
para lhes espreitar
e ela ri-se com
a rotação de todos os polegares
na inclinação exacta de nos amar
31.7.11
arestas
tuas letras cascateiam
despencam pelas arestas
vestidas de hecatombe
elas espreitam
vastas e vazias
as palavras ressoam
mortas e agourentas
são assovios no vento frio
fantasmas de acertos, erros e fados
no céu escuro as vozes troam
reboando sibilantes
relâmpagos alumiam instantes
“But don't play with me,
'cause you're playing with fire”
partem-me a cabeça
nessa epifania esquisita
febre
milhares de cacos tilintam
minhas almas espargidas pelo chão
não escute o sonido
cobre os ouvidos
cerra teus olhos
trinca bem os dentes
e espera a treva






