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19.8.09

Ah, as mulheres...




Foi nesse exato momento, que tudo a mim veio à tona...

As mulheres pouco e as bem amadas, algumas de andares altivos, outras de olhares sombrios, sangrando regras e sonhos desfeitos, lamentando pequenos e indigestos defeitos que sorveram em anos de inquietação.

Muitas delas velavam o sono de suas crias, enquanto vazavam leite ingressadas no paraíso... Sussurravam amores, atentas ao menor ruído provocado por cada gesto, pois sabiam, que a vida tem sono leve e que se desperta no pequeno intervalo de um suspiro de com(paixão) e que o silêncio é um grito mudo, que se faz na luz da dor de um parto ou num momento de solidão.

Silêncios que se escutam ao longe, na distância exata entre querer e poder... Para algumas um longo caminho, já para outras a distância de um passo, e para todas, qualquer uma delas... Uma gota de eternidade entre a vontade e o viver.

Dão-se ao luxo de sentirem-se as mulheres que são, e que por força da natureza, cada uma com sua destreza e com sua beleza, se dedicam, se pintam, se borram, se mancham e também se desmancham, qualquer uma delas, pela força de alguma força, que lhes move rumo ao incerto, pelo sexto sentido no certeiro momento ao que pode quem sabe, um dia dar certo.

Sabem que a inteligência e a busca de uma mulher, também se fazem da eternidade de esperas, como um relógio parado que algumas costumam dar o nome de tempo...

E ainda assim cantam, encantam e dançam... Entorpecendo deuses e se fazendo musas, mesmo quando mulheres reclusas... Rodopiado ao som da música que lhes resssoam do próprio útero...

Mulheres vestidas de nudez e em momentos de louca lucidez, estancam guerras e abrem pétalas e algumas delas, por prazer ou no pranto ainda abrem asas e criam anjos, combatem demônios e inventam sonhos.

Muitas vezes, há de se perceber uma triste alegria ou quem sabe uma melan(cólica) alegoria no íntimo de uma mulher.

Contraditórias e contestadoras, construtoras e zeladoras, de homens de sonhos, de fantasias e crias.

Toda mulher é naturalmente hemorrágica e derrama poesia.

Poesia esta, que mesmo despercebida invade como música e trás desejo de em alguns dias sair por aí a bailar, nua e crua e a contar pra quem no caminho cruzar que ela dança porque não tem tempo, não tem dinheiro e não faz guerra... Que tem a natureza líquida e carrega consigo a fluidez e também tem correntezas como os rios...

Toda mulher quando ama, transborda enchentes e inunda suspiros com seja lá o que for, que lhes causar antes do êxtase, arrepios.


(sheyladecastilhoº

17 comentários:

Larissa Marques disse...

impecável, como sempre!

aluisio martins disse...

"a vida tem sono leve e que se desperta no pequeno intervalo de um suspiro"
É isso, nada mais precisa ser dito com maior clareza e perfeição.

mercuriusduplex disse...

a vida tem sono leve e o despertar é breve...
Demais!!

Paulo Castro disse...

Freud, que quase tudo explicou, chegou no fim da vida para a amiga Maria Bonaparte e confessou:
- Não entendo. O que quer uma mulher.
E o que fez Maria ?
Riu.
º
Lacan, já uns bons anos depois afirmou com coragem: "Não existe a mulher". Óbvio. Existem mulheres, cada uma em sigularidade radical, em que a fala, a falta, o encaixe, sempre são da ordem poética.
º
Eu, de minha parte, mais humilde, apenas fico quieto e as lambo, incluindo joelhos e cotovelos.
A ti, Sheila.
Beijos.

Paulo.
º

Louis ALLLien disse...

porra...
estou absorvendo aqui teu texto.
natureza feminina, tão bem descrita que até entendo...

Clauky Boom disse...

ah..rrepios... nada como sentir a pele em êxtase.


muack


boom

. fina flor . disse...

muito bonito, querida!

é por isso que a palavra POESIA é fêmea

beijos

MM.

ANETE ANTUNES disse...

Eis que aí tão inesperada e absolutamente inserida ... mas quem me penetra a Alma é vc, querida ... putz! que lindo ...

"Eu só tenho um simples desejo:
Hoje eu só quero que o dia termine bem"

BLOGG DO SYLVIO NETO disse...

Sheyla,
Foi apenas um olhar de muitas vezes o que nos uniu em um sarau...Também a gentileza de uma bicada em tão deliciosa mineirinha...saber mais de tí quemsabe algum dia...saber do que falas pude aqui começar...Há muito cuidado enquanto passeias em descuidadas revelações, intimas e antônimas revelaçoes, deliciosas e desconcertantes revelaçôes...E eu que pensava que o único a desossar em palavras as alegrias e escárnios víscerais...fosse eu...ehehehe...

grande abraço e beijo...E olha: sem pena e economia

sylvio Neto

Lia disse...

"Silêncios que se escutam ao longe, na distância exata entre querer e poder... Para algumas um longo caminho, já para outras a distância de um passo, e para todas, qualquer uma delas... Uma gota de eternidade entre a vontade e o viver."
Eu pincei esse trecho que me tocou lá no fundo mas poderia pinçar tantos. Ou todos eles que invadem a alma e o coração com tanta emoção ou sentimento. Como disse ao Maninho, repito aqui à vc, não consigo expressar em palavras o tamanho da comoção. Bravo!
Beijo,
Lia

Larissa Marques disse...

tem que convidar seus amigos para visitarem toda a falópios, Sheyla Cherry!
bjk!

Gustavo disse...

Adorei, scheiloca.
Bjs

djcheech disse...

"SINITRO"

Cris Linardi disse...

Todas sabemos as dores e as delícias contidas num ventre feminino... lindíssimo...

Patrícia Gomes disse...

Muito bonito isso!!!

Li disse...

Simplesmente MARAVILHOSO!

ricardinho disse...

contraditorias e contestadoras... minha poeta vc é! bjs