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26.9.09

Putta


A dois palmos de esquina os
olhos inundam-se da luz
piscada de um poste e se preparam
para a pintura imunda.

Na esquina, um farol alto grita e
não há vagas para lágrimas,
a noite corre pelos cantos,
enquanto a boca escoa beijos;

mãos passeiam pelas vagas do corpo,
dentes tatuam a pele macilenta
enquanto geme a cama velha e
sorrisos sem razão morrem entre dentes.

Em dois palmos de esquina
cinqüenta reais consolam o
sexo em desalinho e quase
faz as pazes com Deus.

Patrícia Gomes
Imagem: Smokedval


3 comentários:

Maria Júlia Pontes disse...

Muito bom Paty poema e imagem casadinhos.
Amei.

aliciamentos&alucinações disse...

gosto muito de poemas que me causam imagens...

beijo

sheyladecastilhoº

Ana Sisdelli disse...

"Em dois palmos de esquina
cinqüenta reais consolam o
sexo em desalinho e quase
faz as pazes com Deus."
curti, essa estrofe em particular