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16.10.09

Dolência ofegante


Chegou ofegante naquela noite, algo que eu sabia o incomodava. Essa mania de me expor e ser totalmente explícita quanto ao que penso e quero o incomoda, eu bem sei. O que me salva é a minha falta de medo do perigo. Ele sabe que sou o perigo em pessoa, não me assustam passados estrábicos, verdades esdrúxulas e desejos tortos. Não me assustam nem vivos, nem mortos.
No final o que eu acabo fazendo é arrancar sua roupa, e sem compostura alguma navego no seu sêmen e alma. Não me basta o corpo, não me basta a luxúria do momento e o fogo, sempre vou além, e deixo que me explore até pensar que nada mais há para ser desvendado.
Engano que me dá prazer, eu sei, dirá que uso de certo sadismo quando me exponho e sou submissa até onde você não pode imaginar. Também reconheço que não me lê por inteira, é como se precisasse de uma lente de graus avançados para chegar até onde pretendo estar.
Eu sempre estou lá, querido.
Onde você não alcança.

2 comentários:

RAUL POUGH disse...

Belo "ensaio sobre a inalcançabilidade"...
Texto redondinho, direto ao ponto (não ao G, me pareceu). Como no meu tempo: falou e disse! Bj

Larissa Marques disse...

Muito bem escrito!