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29.7.10

estado líquido do som


há bichos na rua
de pulsar azul

o pulso
entra pelos olhos
e pendura-os pela nuca

concentrados
pousam o centro no chão
e contam pedras
com os dedos dos pés

em cuidada vertical

pilhas de pedras
por baixo dos dedos
para aliviar a nuca

sopram canudos de pulsos
quase oblíquos
em canetas demasiado estreitas

não chegam não sabem do pulsar

e há entre eles
um liquido espesso azul
muito próximo ao pulsar
que adivinham pelos ouvidos

o liquido é horizontal
e quando os enrola por dentro
entre pulsos e pedras

há bichos a dançar

3 comentários:

Rosa Cardoso disse...

Esse poema é ótimo.

Joana Espain disse...

Obrigada. Um abraço!

Joana Espain disse...

Obrigada. Um abraço!