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24.11.10

Me confinei em seu peito, bem entre o coração e o teu par de asas quebradas.
Senti o gosto da carne feroz e bebi do vivo vermelho, onde o pulsar que treme vida, ressoa como um instrumento arcaico orquestrado, que bate, rebate e soa vibrante no tímpano seco, de quem já não quer mais ouvir promessas em vão, muito menos palavras pequenas rangidas entre os dentes, lapsos cometidos e incoveniências cuspidas da boca pra fora, em qualquer canto fétido de alguma sombra, que sempre te segue e um dia, te assombra.
Ali, pus-me secreta a sorver teus segredos impróprios, em improváveis madrugadas, onde finge um gasto sorriso para não padecer de tédio, solidão em um peito que tudo almeja, mas que se infla de nada, quem sabe de uma oportunista gratidão.
Em silêncio, redescubro tua voracidade frenética, por tudo aquilo que não vale um sonho, muito menos uma noite perdida,causadora de abstratas corizas e olheiras roxas devoradoras de sono.
Me expulso pelo canto lacrimejante de teus olhos com a liberdade de uma revoada alada pela madrugada e pouso em fios de minha tensão,extensão de mim, buscando lugar entre os arrulhos de pombos sem paz e corujas azuis inventadas de um tempo fulgaz.
Me vesti no silêncio das minhas pálbebras fechadas, e ouvi o recente passado mudo e mutante que ressinto sair de sua boca entreaberta e bárbara, a devorar qualquer coisa de saias, que pousasse em alguma esquina, apenas pra covardemente te empurrar para a sofreguidão de um amanhecer de olhos borrados, em lençóis com cheiro de outras pernoitagens.
Elas, tingidas de ouro falso e ornamentadas de badulaques plásticos que só expõem as mulheres na busca vã, e que por isso, fingem ser "a tal". a santa puta fatal.
Fatalidade, é a busca incansável pelo que te atenta, mas que pela manhã já não te sustenta.
Hoje, eu apenas queria saber que nome se dá ao amor que de gasto e exposto, morreu de inanição, jogado gelado no meu sorriso pálido.
Secos são meus olhos, e não mais frios, pois neles ardem inexplicável cegueira fúnebre, ao te ver passar tão diferente do brilho em si bemol, que ouvi dentro da maciez das tuas vísceras, quando ali buscava masculino útero e um pouco de abrigo.
Indiferente, me perco dos sentidos.
Apenas constato, que a beleza perdida não volta sequer um segundo atrás, e o que busco tem nome, e eu grito que é paz.



(sheyladecastilhoº

Um comentário:

Valquíria Oliveira Calado disse...

Forte e sincero, dias e dias, bejinhos.