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21.1.09

Estrada Amarela

















tantos sucumbem ou perdem-se
nessa fuga alucinada
sós e vazios quase ignoram
esse cenário cinza e ocre
permeado de vergonha verde
e de animas reais ou não
que deslumbram-se com o bordão:
“não há lugar melhor que nossa casa”

arritmias pedem
mais que um cigarro
uma carreira
ou uma dose intravenosa
de colapso nervoso
almejam a overdose do medo
e na escuridão da toca do coelho
ecoam vozes febris em alucinação:
“não há lugar melhor que nossa casa”

os pés cheios de bolhas
tocam-se sufocados
dentro de calçados vermelhos
pisam em compassos curtos
na ânsia de voltar à inocência
perdidos na cidade de concreto e pó
entre ascensão e queda sobre tijolos
da estrada amarela, repetem a canção:
“não há lugar melhor que nossa casa”

perdi meu lar e meu sapato de cristal
não confio mais nos homens de lata
nos covardes, nem nos feitos de palha
sou real, mas represento em mim
Alice, Cinderela e Dorothy
pintadas numa pequena aquarela
em tons entre o azul e o carmim
e com elas sigo em fuga e digo:
“qualquer lugar, menos em minha casa”

4 comentários:

Jessiely Soares disse...

Meu Deus, que foda!

A melhor filosofia que eu pude ler em anos.

“qualquer lugar, menos em minha casa”


Quantas vezes eu repito isso... quantaaaas!


Perfeito, Larissa! Perfeito!

Rosa Cardoso disse...

Interessante,Dorothy-Cinderela-alice-Larissa.

Magmah disse...

Na ânsia de vislumbrar um mundo novo a cada dia, não deixar nunca de ser criança, cultivar a busca pelo ininito...manter vivas nossas Alices, Cinderelas e Dorothys interiores...
Lindo, Larissa!!!

Larissa Marques disse...

Grata a todos os comentários!