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15.7.09

O AMOR FUTURO

Era enfim, um abraço merecido, mas os olhos que antes a viam como musa-diva, eram os mesmos olhos que não a refletiam... Apenas a atravessava...
Naquela noite e em tantas outras, em que tinha a necessidade e urgência de ter o sono velado, fazia um minuto de silêncio pela inércia daquele amor e por toda aquela imobilidade que deixava a alma muda, calada...
No não-espelho daqueles olhos, não restava mais a eternidade, que naquela noite era apenas a lembrança... Era a memória de um tempo, em que se saciavam apenas de graça e de delicadeza...
Resolveu partir submersa, mergulhada dentro do mesmo silêncio que se fez na chegada...
Não anunciou a partida, apenas se foi... tomando toda precaução para não olhar para traz, pois não queria deixar nada... Nem um olhar molhado, que pousado sobre o piano de cauda ficasse ali impresso, como se eternizando o que chegava ao seu fim...
Partiu...
A casa. Agora dentro do seu próprio corpo...
E a cada passo que dava, sem saber, se aproximava cada vez mais do amor-futuro.


(sheyladecastilhoº

4 comentários:

Anônimo disse...

lindo.....linda.....bjo flor!!!!

Anônimo disse...

lindo... linda... bjo, flor!!
ana

Larissa Marques disse...

muito bom, menina Sheyla!

Lia disse...

Sheyla, Sheyla, que maravilha, amiga!
Sabe, lembra-me não sei porquê -ma emocionou-me como este outro(Poema) do Drummond que li outro dia no perfil de um primo. A causa, entretanto, era outra mas as palavras, os sentimentos a gente assimila da forma que nos chega e toca. Chega, toca e faz aquela grande revolução na nossa sensibilidade...

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


O seu Poema me lembra este, mas por acaso, pois é tão grande quanto!