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12.8.09

entre aspas e pernas


escrevo violentamente sobre flores e abismos e nos intervalos dos sentimentos de ausência, insisto em recordar de um corpo cor de mel e me delicio ao imaginar que os olhos noturnos que lhe boiam na face, observam como eu, o mesmo por do sol que mergulha baixo em alto mar e amanhece redundante e fumegante no japão...
sempre soube que o volátil das coisas, se perpertuava na eternidade do que um dia foram. e por isso são. e pelo infinito para sempre serão.
eu gosto do movimento dos planetas e suponho as estrelas que não se avistam nas grandes cidades, assim como amo ter o sol brilhando em leão.
cativo orquídeas e bromélias e ainda me movo com os girassóis, assim como quem busca um lugar sob os raios do rei. reino em meu castelo e cultivo a solitude necessária para transitar entre versos e saudades, uma maneira sutil de manter sob controle a minha íntima e própria loucura.
em alguns dias, acordo tarde, acendo um incenso para budha, degusto uma maçã argentina, beijo a imagem da virgem subtraída de um triste leito de morte, olho profundo e demoradamente os olhos de chico buarque na parede do quarto, prendo fumaças loucas e verdes e parto de vestido branco e longo para a gira, trago um cigarro mentolado que prolonga a sensação de dentes recém escovados, sigo por entre sirenes e monóxidos de carbono que me roubam a calma, mas em busca da fé que me faça seguir, mesmo com uma saudade de gosto ferroso que sinto há meses grudada na garganta.
sonho acordada com encontros na maresia. um encontro de olhos e bocas e línguas e chicletes. onde masco as mucosas, a saliva e a saudade. com vontade. e depois peço que engula minha umidade, que me inunde de vaidade e que sem humildade me penetre o mastro e no meu peito hasteie a tua bandeira se tornando o dono da parte que de mim, há tempos possui... para fazer daquele passado inferno, uma sonora de harpas manhã de sol e entre aspas e com a sua áspera barba por entre as minhas pernas, também imploro a boca rouca que me arranhe a nuca...
nunca. nunca um dia imaginei, que pudesse sonhar ser feliz assim!
agora sei, que tenho urgência mais do que sempre. pois não vou deixar que a possibilidade de um novo encontro, apodreça como as bananas na velha fruteira, nem como o presunto esquecido fora da geladeira.
não quero dormir com esse desejo na boca e com essa sede nas mãos.
te procuro em outra fome.
mas um dia, sei que te acho...


(sheyladecastilhoº

Um comentário:

Larissa Marques disse...

aliciando pensamentos, sempre!
muito bom!