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27.9.09

Despedidas


Tudo começou como uma brincadeira, pega, corre, ri, ama. No final nada passou de uma simples ilusão, a ilusão da perfeição que não exista.
Lembro-me do gosto agridoce que sua boca exalava e do tanto que eu sonhava quando te via e não te via, um sonho inacreditável e inacabável. Até que eu percebi que meu amor não era meu amor, ele só estava mentindo. Dizendo inverdades, mostrando a face clara da juventude, enquanto envelhecíamos juntos, eu vi o lado oculto e inerte que ele tinha...Tem.
Quando corria, eu corria sozinha e ele me olhava nem se preocupar, quando eu sonhava eu sonhava sozinha e ele ficava acordado, quando eu estava acordava vivendo ele dormia e sonhava aventuras que ninguém mais pode saber o que são, ele nunca revelará.
E enquanto eu colocava poesia e ele se tornava o senhor da minha vida e meus sonhos, ele a lia, e criticava, e odiava todo a lírica. E eu observava perplexa o meu sonho, minha obtusa esperança de uma paixão louca, desesperada e intrínseca.
O que eu fiz para que não me amasse? Eu sempre fui sua, sempre te amei como nunca pude alguma outra pessoa, e as poucas coisas que preciso, mostro, digo não me entregas.
Tudo acabou como o final de jogo, sem tristeza, sem amor, sem despedidas.
Sem despedidas.

4 comentários:

Larissa Marques disse...

Marci,
sê bem vinda, o escrito é muito bom!
na folhinha, seu dia é domingo, por isso mudeia data, ok?

Ruy disse...

Muito belo e triste. Muito real.

Maria Júlia Pontes disse...

Bela prosa, a vida tem praticamente sempre dessas coisas.
Gostei do escrito.
bjo

Ana Sisdelli disse...

Wue massa!
adorei a prosa, a tristeza está muito bem retratada.
To adorando estar por aqui!
besos