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2.12.09

sur(realizo) em noite de lua cheia

enquanto pneus amaciam o chão da clara noite, cá me tranco no meu canto, tendo um outro canto do céu derramado no meu colchão. a lua da rua se espalha pelas minhas pernas, pelas paredes do quarto e brinco de sombras retorcidas, distraídas de mim mesma.

do outro lado da montanha de pedras, me chama um homem pelo corpo. e muito além de tanto chão, há um amor que me tem por muitos poemas.

Não procuro agir com nexo, quando não resisto ao homem que por trás da montanha me grita por sexo. E muito menos procuro razão, por amar fielmente o outro homem de não.

existem duas distâncias e algumas semelhanças entre o meu amor e o desejo, entre o fogo e o que um dia eu tomei por desprezo.

por isso essa noite, eu escolho apenas subir pelas paredes. simples assim...

me arrasto pelo teto, até enrolar os meus fios de cabelos nas atenas de tv, pra sintonizar o que eu percebo e que procuro fazê-los ver. que eu só estou aqui por meu bel-prazer...

tenho um homem que vive na rede. quero um homem com cheiro de mar, e é do sal deste que mais tenho sede.

tenho um homem me mata a fome.

eu sempre cedo. pra nós nunca é tarde.

amanheço no fim da tarde, derretendo sobre as ondulações de vapor que amaciam o asfalto e prenunciam o próximo verão.

espero sonolenta e colorida, pelos fogos de artifícios que espocarão no último dia por trás da montanha de pedra e poesia, e já suspiro pelo arrepio de sim que causará o olhar do homem que tanto não.

elevo meus olhos aos relevos do rio. sorrio.

me sur(realizo).

da montanha e do mar, do sim e do não, eu preciso.
finalizo.



(sheyladecastilhoº

Um comentário:

FláPerez (BláBlá) disse...

adoro seus textos!
manda pro meu email dois, e uma foto em preto e branco, pra eu te colocar na exposição do meu sarau.
flavia_perez@hotmail.com