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3.5.10

Fuga

imagem: Peter Zander

Ser-me inteira contigo é teu destino e minha missão. Aqui estou em tua busca, revestida de amor e de te(n)são. Não queres? Então nega-me e continuarei a te assombrar, mesmo lavada da tua vida faço parte da sombria viela onde escondes teu rosto em esgar.

E negas-me ainda?

De fútil não tenho nem das unhas a ponta. Mares giram de vórtices em onda, mal enxergo as marolas com que te afliges. Do fundo do peito engastado de mentiras e recados tentas dizer-me para partir. Porque tens medo de mim. E medos em ti: perder-se em minhas mãos, misturar-se a esta alma que te afaga, este corpo que te traga, que te infesta de dores e ilusões.

Giro-te deixando-te tonto, recuso partir e domino a mente que perdes em minha sombra. Não te dou o tempo que necessitas para correr. E correrias de quê? Que temor é este que te paralisa e domina? Em estratagemas tardios, tentas reconstruir tua fobia desta alma que anseia pela tua que anseia por mim.

Para que este choro infantil de menino arredio?

Sou a alma em teu encalço, o teu 'para sempre' engasgado. De nada adiantas negar-me que te faço mais parte de mim.

4 comentários:

Rita Schultz disse...

De nada adianta fugir do amor. Negá-lo? Nunca! Será sempre uma ferida prisioneira!
Lindo texto, Ana. Beijos.

Barfly disse...

É sobre isso que escrevo: essa obsessão que nos prende a alguém seja pelo pau ou pelo coração. Gostei!

Larissa Marques disse...

ana,
muito apreciado, viu!
feliz de ser falopiana!

Ana Marques disse...

Rita, linda...

Você é doce e seus comentários ainda mais maravilhosos. Nem sei como retribuir.

Barfly,

A obsessão que nos prende, que nos leva, que nos traz de volta.
:) É, vc entendeu bem!

Larissa,

Parenta, feliz por estar aqui entre feras feríssimas, como és!