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27.6.10

Enquanto espero!

Enquanto espero!
de iriene borges e rosa cardoso




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Um não sei que de procela
soprou-me na boca do nada
e despenquei até fincar raízes
numa nesga de madrugada


Viajo nos reflexos da sarjeta
Musgo e violeta no assento detrás
Um bilhete e Silêncio no alforje
Trinam apenas estampas florais




Hortência no guichê número dois
sacou meu destino da impressora
Paredes e divisórias acinzentam
o viés lilás eleito para a aurora






Desarvoram meus cabelos
palavras de céu e ventania
soprando versos descaminhos
enquanto espero calmarias


Sonho com a caixa em que te guardo


Encanto


Revolto em pedraria






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imagem : Gone with the wind vinda do site pixdaus http://pixdaus.com/single.php?id=40342&from=email

2 comentários:

Cel Bentin disse...

sonho com a caixa em que te guardo

encanto

revolto em pedraria.

tudo dentro de tanto e tão pouco.

pelo modo e hierarquia que acabou se estabelelcendo na minha leitura de vocês, esse enquanto espero me pareceu ter corpo desmembrável: ele carrega em cada estrofe um fardo diferente de tempo (podendo ser cinco ou seis) que juntos e sequenciais formar a reviravolta do relógio que toca o tempo sem despertar barulho.

beijo perto das duas e das outras tantas que fazem esse jardim de cá.

Rosa Cardoso disse...

Comentário especial esse! Acho que falo pela Iriene também quando digo que sua visita é esperada e querida.

beijo, cel