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22.7.09

Especiaria - Flá Perez

A espera submarina
do peixe-dos-terremotos,
ela sonha seus versos toscos:

alegorias escondidas
em margaridas sulferinas
e antigos signos mortos.

Lá no fundo do barco,
nos porões do que foi,
estão seus olhos de ontem.

Esses velhos marinheiros
repetem o fog sob os cílios.

Incrustados,
não reconhecem cenário,
pátria, ilha ou parada,
nem quando veem os filhos.

Com lentidão de sereia,
a mulher que desveste o espelho
à boca soma acalantos.

E guarda que nela se afoguem
outros lábios vermelhos,
inchados

de tanto prazer e pranto.


Poema premiado com o primeiro lugar no
XII Prêmio Cidadão Poesia - Categoria Livre

4 comentários:

NONSENSE disse...

Delícia!

Blá Blá disse...

anônimo invejoso, queria ser eu...rsrsrsrsrsrsrsrs
vou me benzer correndo!

Larissa Marques disse...

maravilha!!!
parabéns!!!

Blá Blá disse...

Valeu Lari!


Valeu Nomsense!