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25.10.09

QUINTA

Abro os olhos devagar, tentando não me irritar com o toque do celular. Lizt em versão de bolso me avisa quem está ligando. Demoro um pouco para atender, buscando alguma saída dentro daquela loucura. Não há saída. Atendo enfim.

- Alô.
- Por que demorou a atender? Tá com outro? Pondero antes de responder: -Tava dormindo... São duas da manhã!
- Hoje é quinta! Esqueceu? Você me deve duas horas!

- Não... não esqueci. Só é cedo demais... Posso dormir?

- Não! Ser só dele às quintas, era esse o acordo. Saio de casa e entro no carro que me espera.

O motorista mal olha quando abre a porta e me entrega uma caixa.

- Está atrasada.
Era verdade, tecnicamente a quinta começou à 00h00 min.
- Perdão.
Sinto um leve arrepio me alertando. Presságios confusos rondam minha cabeça. Tenho a sensação de estar avançando para o desastre. O motorista volta-se para mim e diz numa voz neutra:

- Tira a roupa e abra a caixa.

Obedeço em parte, tiro minhas roupas enquanto o carro avança pela madrugada. Abro a caixa devagar. Um par de algemas e um colar com o nome dele gravado, ponho o colar. Não consigo colocar as algemas.

Quando o carro para são quase 3hs, o motorista abre a porta eu desço. Usando apenas saltos altos, o colar e o que me resta de rebeldia. Ele me espera na escadaria. Passo a ele as algemas. Ele sorri e segura firmemente meus braços. Desliza pelas minhas costas, num caminho sinuoso, suas mãos grandes e quentes. Ele me agarra pelos cabelos, os afasta, beija e morde meu pescoço. Segura e acaricia meus seios como quem toma posse.

O corpo ainda vestido do homem roçava em minha pele nua. Ouvi minha respiração entrecortada e tentei me controlar. Os braços doíam levemente. Ele me empurrou para a casa sem me libertar do abraço. A escada range quando afinal subimos os degraus. Eu arfo e começo a tremer levemente. Já conhecia o cenário. Piso de madeira encerada, pé direito alto nenhum móvel além da enorme cama onde ele me jogou sem cuidado. Ele tira as próprias roupas, devagar e cuidadosamente, enquanto diz bem baixinho quase docemente:

- Eu sei do que você precisa!

Beija suavemente minha boca.

- Vou cuidar de você. Você é minha e sabe disso... -a cama range quando ele se move. - Huhum... Sua por todo o dia. - Outro rangido quando ele me vira de bruços, sinto o lençol de seda sob meu rosto e uma liberdade estranha. Nada ali estava mais sob meu controle. Os pensamentos coerentes param, esqueço a multidão de vultos sem rosto que nos observam e apenas obedeço. Ele ri.

3 comentários:

FláPerez (BláBlá) disse...

lembro desse.
sempre bom.

Patrícia Gomes disse...

Muito bom, Rosa, sensualidade à flor da pele!

Larissa Marques disse...

Sensual, gosto dessas linhas tênues que pintas!