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4.11.09

poemicídio



não há poema que descreva, o que se passa nesse vácuo agudo que eu sinto no meu peito.
e eu, não encontro mais respostas no silêncio que pronuncia em seus versos, para as perguntas que te lanço e não te alcançam. e sei, te cansam.
existem outras cores de olhares que me atraem, mas se dispersam e se distraem, quando as busco no lusco fusco de monólogos desconexos.
essa mulher que sob refletores domina a multidão, é a mesma que se desmonta no breu solidão.
não há poema que eu faça que transmita, que não há amor no mundo que resista a qualquer falha de atenção. e eu não busquei isso. eu, isso não.
eu fui pra longe e tão pra dentro de mim mesma, para provar que o amor é o banquete e nunca, jamais a sobremesa.
me ofereci pra tua ceia em noite de lua nova, mas tua barriga estava cheia e você cheio de prosa. você há tempos é meu fogo, e talvez por isso que me seque. a rosa.
e só porque pelo que sinto eu tenho fidelidade, eu ainda bebo as lágrimas da minha vontade e nos raros dias, em que sempre distante eu mais me afasto, eu estática atesto: que eu te provoco e te testo, porque eu te amo e eu te detesto.
e por mais explícita que eu sempre seja, você não me entende, porque não mais deseja e me desdenha como quem descarta restos.
e eu, a quem aplaudem e chamam de poeta, ainda me exponho nos meus gastos versos. eu sei, ultimamente tenho pecado pelo excesso.
mas, se você quiser exterminar tua consistente constância de meus poemas, que o faça agora!
seja meu algoz, o meu caçador... estou de peito aberto, mate esse amor!
mas quando encarar o raso dos meus olhos, e o nada de brilho lhe for indigesto, que por mim pela última vez, você se entregue... te peço esse último gesto.

seja um réu confesso.
.
(sheyladecastilhoº
.

2 comentários:

Larissa Marques disse...

sejamos então!
muito bom!

Patrícia Gomes disse...

Essa imagem me agonia um tanto que nem imagina. rs