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24.4.10

Sobre mensurar amor


Tenho vivido dias de vertigens, meu teto anda muito próximo da minha cabeça, as paredes esticam e encolhem sem pedir permissão. Ainda outro dia eu via sol em plena noite escura, escura e longa. As crianças têm mais noção do tamanho das coisas. Eu poderia te dizer que te amo do tamanho do mar ou da Avenida Conceição, sei lá, mensurar amor, assim como as crianças. Onde perdi minha inocência?
Talvez nos galopes dos cavalos que deixei de cavalgar, na planta que deixei de regar ou teria sido naquela batalha que tive que enfrentar pela primeira vez para não murchar?
Eu te amo, apenas palavras, mas muitas vezes ditas com o coração na boca da santa inquisição.
Vão me queimar na fogueira, eu sinto o calor se aproximando, mas meu corpo permanece frio, ainda é inverno em minhas entranhas.
Tornei-me inverno desde o último verão, folhas de outono não me enternecem mais, aquela esperança de tudo voltar a florescer de você me abandonou.
Eu cuidei do seu jardim, mas as sementes não vingaram.
A dor congelada tomou conta da semeadura.
E fiquei assim, alma fria in natura.

2 comentários:

Valvesta disse...

Como gosto deste lugar, tudo que leio aqui me enche a alma, são se meus sentimentos estivessem gritando, ecoando nestas letras, vcs estão de parabéns, deixo muitos beijos a todos que aqui nos presenteiam com suas brilhantes letras.

Flá Perez (BláBlá) disse...

Ana Sisdelli! Adoro!