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21.11.09

Em Duo


À Mulher Mal Amada

Urdideira de fios alheios,
anverso sem reverso
coração varrido e amoral;
vestiu-se de amargura e
ancorou na vida;
traga tudo com[o]
amargosa cachaça,
enquanto a parca razão [que tem]
dorme criança
na cadeira ao lado.


Patrícia Gomes
Imagem: Trixis





Sinuosidades

O sol pôs fervura sobre

Minha pesada cabeça e
O tempo corria cru
Feito semente

Quase segui por
Mais um descaminho,
Culpa do dourado das folhas
Do outono a emoldurar a tarde.

O madurar das árvores e
O castanho chão [feito mancha de café]
Faziam queda de braço
Afim de reter o cheiro dos passos meus

Mas é sinuoso o caminho que
Sigo com vasto querer e
Ardo como desejei, pois
Há luz em minha carne

E as águas batem sem passado
E sem futuro.



Patrícia Gomes
Imagem: Desconheço a autoria, mas pincei no Google

4 comentários:

RAUL POUGH disse...

Entendo a "sinuosidade" como regra. E não conheço exceções. Ces't la vie, ma chérie... (lindo, o teu poema!)

Patrícia Gomes disse...

Eu não gosto de retas, então se há que seguir algumas regras, q elas sejam sinuosas! ;o)
Obrigada, Raul!

Rosa Cardoso disse...

Gostei mais do segundo poema: Sinuosidades.

FláPerez (BláBlá) disse...

olha, ótimo o primeiro!!!!... o segundo tbm achei mto bom!