Sou mulher pra toda vida cama, mesa, forno, fogão sou Amélia assumida raramente digo não
Me abusa e me desdobra faz de mim tua bandeira satisfaço teu fetiche, e teu mais íntimo desejo põe em mim todo teu peso
Faz de mim teu fim de feira vou gemer e tremular feito a puta mais rampeira mas espere eu chegar lá do contrário me aporrinho não teu mais meu carinho e cuidado: vou te capar!
Isadora Venal
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Eram sete e meia da manhã quando ele abriu o e-mail e pipocaram onze mensagens da Glorinha. Onze. E era ainda terça-feira.
A Glorinha era daquelas pessoas que parecem convencidas de que amizade e amor se demonstram com PowerPoints e que bom humor a gente envia por spam. Quem tem uma amiga como a Glorinha sofre um bombardeio diário de mensagens divinas, lições de moral e piadas sem graça. Isso sem mencionar os vídeos – ah, os vídeos! – e as “fotos mais incríveis do mundo”. Essas, pelas contas do Sousa, já eram quinhentas e trinta e seis, incluindo quatrocentas e cinquenta e oito repetidas.
Com os onze e-mails daquela terça-feira fatídica, foi alcançada a soma impressionante de cento e noventa e seise-mails inúteis enviados por aquela bem intencionada criatura no ano de 2008 – e ainda estávamos em junho. Sim, o Sousa estava contando. Ele não sabia bem com que finalidade, mas tinha resolvido montar uma planilha onde anotava, diariamente, os e-mails de Glorinha, desde as dezessete mensagens de votos para o ano novo recebidas nos seis primeiros dias de janeiro. Aquilo não podia ser normal.
O Sousa era um cara pacato. Boa praça, bom vizinho, bom funcionário, bom filho, educado, prestativo e amistoso, o Sousa era um cara pacato. Botafoguense, tímido, classe média, o Sousa sempre fora pacato. Não se tem notícia de nenhum episódio em que o Sousa tenha perdido as estribeiras, nem nos tempos rebeldes de adolescência. Mas o Sousa estava visivelmente irritado. E essa irritação, que ele não conhecia, parecia abrir as fronteiras para um outro Sousa. E este novo homem se perguntava por que uma pessoa tortura um conhecido com Power pointsde gosto duvidoso, poemas horríveis atribuídos a grandes escritores,advertências ameaçadoras envolvendo cinemas, agulhas, drinks e rins retirados em banheiras – e tudo isso achando que está praticando o bem? O novo e nada pacato Sousa que emergia naquela manhã comum queria compreender o que move Os Repassadores de e-mails, esses seres sem rosto que estão dominando o planeta e torrando a paciência dos seres normais.
Levantou-se, afagou o cão, foi até a cozinha e ligou a cafeteira, colocou dois pães de forma na torradeira, voltou,pegou o jornal na porta da sala, foi até o escritório, sentou-se novamente diante do computador e, para sua surpresa, ainda estava irritado. Marcou as onze mensagens para deletar, mas não houve alívio. Ardia nele um sentimento estranho, uma agitação miúda e nova, misto de irritação, de inconformação e de sede de justiça. Aquilo precisava parar. O Sousa precisava dar um jeito. O novo Sousa podia.
Com os dedos frenéticos, digitou www.aquipodetudo.com e em segundos adentrava um mundo obscuro e novo onde se podia conhecer e testemunhar as mais inenarráveis bizarrices sexuais de que se tem notícia. Foram necessários menos de dez minutos para que ele encontrasse o vídeo perfeito, cujo enredoenvolvia uma mulher, um homem, fezes humanas e um cachorro, não necessariamente nessa ordem.
Deixou baixando o arquivo e retornou à cozinha, onde fez com calma o desjejum e alimentouMajor. Em seguida, imbuído de uma calma perigosa, que em tudo destoava do olhar vidrado, voltou ao escritório, sentou-se diante do computador, verificou o tempo restante para o download e, experimentando uma satisfação indescritível, deu início à sua vingança. A primeira.
Muito serenamente, como quem planejara a maldade durante décadas, selecionou uma das mensagens da Glorinha e decidiu responder:
“Glorinha, minha safadinha,
Só ver seu nome na minha caixa postal já me deixa excitado. Não consigo esquecer nossa última ‘brincadeira’ –para ser sincero, não paro de pensar nisso. Você é a mulher com quem me sinto livre para realizar todas as loucuras, porque você não é apenas a mais gostosa de todas, você é moderna, sem preconceitos nem frescuras. Eu e Major estamos loucos para repetir a dose, estou pensando em marcar para quinta-feira no horário da sua caminhada, assim não teremos problemas com desculpas, o que você acha? Seu marido desconfiaria, nesse horário?
Não deixe de ver o vídeo que estou enviando para nos inspirar. Não é nada perto do que já fizemos – esse pessoal parece amador! *rs – mas serve para atiçar a lembrança e abrir o apetite. Da próxima vez, vou filmar nós três para poder matar a saudade depois.
Do seu taradinho ansioso,
Sousa”
O download estava concluído. Renomeou o arquivo com o nome de “Eu, você e Major”, anexou, selecionou a opção responder a todos e enviou. O engraçado é que o Sousa de verdade, o Sousa pacato era virgem e jamais conhecera Glorinha pessoalmente. Mas isso, claro, eram detalhes que os trinta e seis destinatários da mensagem não sabiam.
Tomou banho e saiu em seguida, perigosamente calmo, para comprar uma lanterna e uma corneta. Era o dia de estréia de Jornada nas Estrelas e o Sousa, o novo Sousa, decidira ir ao cinema atormentar um pouco os espectadores, só para variar.
Nálu Nogueira
(Texto criado para o 3o. Desafio de Escritores da Câmara dos Deputados - Maio/2009)
Engraçado, eu me excito mais no calor do que no frio. E naquele dia tava fazendo um tremendo calor quando meu primo Carlinhos chegou de viagem com a minha prima Sandra. Ela é engraçada, usa um aparelho nos dentes diferente dos que já vi por ai. É desses que dá a volta na cabeça. Fico imaginando ela fazendo sexo oral, eu hem?!... O Carlinhos era um primo legal e muito inteligente. Ele sempre conversava comigo a respeito de astros, mares, geografia e anatomia... Naquela noite quente nós nos reunimos na varanda da edícula construída por meu avô Antonino cinco anos antes dele morrer. Conversa vai, conversa vem. Bocejos vão, bocejos vem... daí a pouco tava todo mundo indo dormir, minha mãe, meu pai, meu irmãozinho chato e a minha priminha esquisita. O Carlinhos me olhou assim meio de lado, como se quisesse continuar a noite ali, e eu correspondi ao olhar, então continuamos mais um pouco. Ele começou a falar das estrelas, e eu nem ai pra estrelas, pois pra mim as estrelas que me interessavam naquele momento eram seus olhos verdes e grandes. Quando ele percebeu que eu o olhava muito, perguntou-me sem jeito: Parte superior do formulário ─O que foi prima, que tanto me olha? ─Nada,ué! Por quê, não pode olhar pra você? ─Não é nada disso prima, é que você é muito bonita e eu fico com vergonha quando uma menina bonita me olha assim... ─Assim como? ─Ah, não sei explicar. ─Você me acha bonita mesmo? Acha que cresci desde a última vez que nos vimos? Seu olhar era todo tímido, e suas mãos tremiam. Não sei porque mais toda aquela situação me excitava. De repente ele se levantou e saiu a passos rápidos pro seu quarto. Fiquei ali, com cara de boba sem entender nada. Não me dei por vencida, esperei uns minutos e fui atrás. Quando cheguei ao quarto, ele fingia dormir. Lentamente me aproximei de sua cama e fui introduzindo minha mão direita sob o cobertor... Quando achei o que queria, ele pareceu dar uma tremidinha, achei graça e ri por dentro. Fui lentamente tirando o calção que ele havia vestido e mentalmente o chamei de filho da puta, pois ele tava acordado e eu sabia disso. Quando achei seu membro ele já tava duro, e pulsava muito. Ele deu uma mexidinha de lado, pra dizer que nem tava sabendo de nada, e relaxou. Comecei a acariciá-lo lentamente, pra cima e pra baixo, até que senti uma vontade enorme de chupá-lo, e então, chupei com toda a minha vontade. O filho da puta começou a suar frio, e a se contorcer de um lado a outro, mas não dava o braço a torcer mostrando-se acordado. E eu cada vez mais excitada, chupava mais e mais. De repente senti seu corpo estremecer e um grunhido saiu de sua boca. Enquanto na minha boca algo espesso e quente jorrava de seu membro que não parava de latejar. Engoli um pouco e o que restava na minha boca eu despejei na boca do primo num beijo surpresa. Ai ele acordou. Mas já era tarde, pois o danado havia engolido o próprio mingau, gota por gota. Quase sem ar, levantei-me e fui pro meu quarto satisfeita com a peraltice que acabara de fazer. No outro dia quando estávamos todos na mesa pra tomar o café, percebi que o primo nem olhava pra minha cara, achei engraçado seu jeito de caipira da cidade e ri alto. Minha mãe achou estranho e perguntou qual era a graça. Eu na maior cara de pau disse que gostaria muito de tomar um mingauzinho no café. O primo não aguentou, saiu da mesa e foi direto pro banheiro vomitar. Minha mãe se levantou pra fazer o mingau, e eu, depois de morná-lo, o engoli com a maior das vontades.
(Rita Veiga)
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