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30.8.09

Kuvundu




A lua anda irresoluta,
solta a língua negra
no céu de Angola,

canta semba
por agrado,
uma kizomba
como um brado,

esconde-se
escarlate,
escorrendo
nas páginas
da história,

Afrodizialá,
Afrodiziacá.

Kuvundu------ anoitecer na língua Bantu

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Os marcadores da FALÓPIOS são FIXOS, portanto use apenas os que estão editados no blog!
Grata!
Larissa Marques.

descompasso







acho que o tempo
esse mesmo
que me cobra
está errado

acho que meu tempo
está errado
errei na contagem

desde ontem
conto e reconto
não consigo
acertar meu tempo

não consigo acertar
meu pulso



Imagem pinçada do google não achei os créditos.

29.8.09

Eu, Espelho Meu



A noite me diminui na presença
de tua falta, e no breu , o silêncio toma corpo
enquanto eu, trôpega, completa de vazios
persigo mediatos caminhos,
querendo apalpar a luz de tua carne,
sorver o mel dos teus olhos.

Quais mistérios guardam teu nome que
são intraduzíveis em qualquer língua,
viva ou morta e que me fascinam,
sólida e permanentemente?!

Procuro respostas, olhares, um som qualquer
no espelho claro que me molda,
e ele só reflete a manifestação, de respiração silente
e molhada, que imita meu corpo
aguando o teu...


Patrícia Gomes
Imagem: Pinçada no Google, desconheço a autoria.

Aprenda a usar os homens em 7 lições

1- o Olhar

Primeiro ache um homem disponível. Olhe para ele, sorria, deixe que ele se aproxime. Ele vai querer saber um pouco sobre você, tentar te deixar mais a vontade, mas a verdade é que só está prestando atenção no seu corpo. Deixe que ele olhe, insinue.

2- o Sorriso

Ele é inseguro. Vai tentar te conquistar sendo engraçado. Ria de tudo que ele falar e finja que entrou no jogo. Faça-o pensar que está no controle.

3- o Teste

Veja se ele está no papo ou se é apenas papo. Por exemplo, fale que está com sede, peça a ele para lhe conseguir uma bebida. Se ele for, bom para você. Se ele não for, parta para outro.

4- o Tumulto

Ah, leitora, o bar é muito agitado. Talvez um lugar mais calmo, particular ajuda a conversar. Conhecerem-se melhor. Ele vai, com certeza ele vai, se chegou até aqui.

5- a Decisão

Bem, leitora, ele está aos seus pés. Agora é com você, vai levá-lo para casa ou apenas dar um beijo e o seu telefone. Segunda opção? Então deixe que ele sinta seu perfume, a textura da sua pele. Que surpresa se ele te ligar convidando-a para jantar.

6- o Jantar

Mostre-se compreensiva. Ele vai procurar falar algumas coisas a respeito dele. Concorde com tudo, dê razão a ele. Faça-o crer, leitora, que você o acha poderoso. Faça-o crer que vocês dois tem gostos muito próximos.

7- o Final

Já sairam bastante? Por que não viajam juntos, um fim de semana na praia. Esqueça as coisas ruins, fale tudo que ele quer ouvir, pareça a companheira perfeita por dois dias.

Agora, leitora, que você já usou esse homem, jogue-o fora. Foi bom enquanto durou, sentiu-se poderosa, foi paparicada. Agora que vem a decadência dispense-o. Esqueça as ligações dele, pode até atendê-las, mas seja desinteressada. O próximo passo? O olhar! E homem disponível não significa solteiro. Boa caça, leitora!

28.8.09

2ª EXPOSIÇÃO LITERÁRIA "MULHERES NUAS"


2ª EXPOSIÇÃO LITERÁRIA "MULHERES NUAS"


De 1 a 4 de setembro de 2009, no hall da Biblioteca de Universidade Federal UFMA em Imperatriz do Maranhão, das 09 às 18 horas.

Venham prestigiar mais esse acontecimento literário! É DE GRAÇA!!!
Contamos com sua presença!

27.8.09

De olhos fechados

(Foto Plynio)


Dissidentes, as pálpebras
recobrem os globos desertores

meus olhos preferem ficar fechados

o escuro induzido disfarça
o abuso do teu sorriso
cínico de único dono.

Agatha R.

26.8.09

Nefertari Reencarnada - Flá Perez

Dormi varias noites
aos pés das Pirâmides
numa cama de campanha.
Chamava por ele
incessantemente.

Uma manhã, o grande Faraó,
poderoso ectoplasma,
finalmente apareceu.

E falei:
Reconheces-me, amor meu?

Ramsés olhou-me de soslaio
e foi-se embora rindo,
nem sequer me acenou!

Filha da puta de médium,
o charlatão me enganou!

traduzindo tardes indo...



Há uma estrela solta nesse céu que se enegrece agora, colada em algum pedaço do pano azul escuro que a noite vem estendendo pelo espaço.

Há um espaço em mim destinado a ela, solto, dentro, onde mais nada alcança.

Há, no céu da minha boca, a espera.

No centro da minha mão há afago.

No fundo do que sou, tua lembrança vaga que o meu tempo tem, que não apago.

E muitas vezes, há um véu lilás que tinge as tardes de inverno e que trata de ocupar todos os cantos e encantos, que os meus olhos vislumbram e deslumbram.

Ainda há dentro de mim, num lugar onde a saudade tinge em aquarela, todas as cores quentes que se derramam ao entardecer e que me escorrem em poemas que não mais fazem doer, que flutuam entre as salamandras que aquecem o meu olhar, ao perceber o momento exato do amor se aproximar.

Ainda há o Sol...

Foi-se o tempo do amargo e do sal.

Pela casa, a lembrança do afago e do fogo nada fátuo, que nenhum futuro não mais apaga...


(sheyladecastilhoº & necka ayala

23.8.09

alquimia



É tarde! Estirada ,
a noite sussurra intentos
nesses sonhos vagos

Tua reticente cilada
escora no céu da boca
largos esteios infundados
e desliza pelas abóbadas

Ajoelhada desabotoo
inveteradas promessas
elas exalam teu perfume
e as notas perdidas cantam
a mesma canção embolorada

Um minueto saliente
lançando palavras-raízes
nessa lua minguante
danço nos escombros
desses velhos achados
onde guardo com cuidado
o passado
embrulhado em seda azul



Rosa Cardoso

Pedaços

Para André Espínola




"Minha vida não cabe nos trilhos de um bonde"
(Caio F.)




É, há noites em que o sereno invade a sala de estar, mesmo com as janelas fechadas.
Não sei o que há, Baby. Minhas asas andam descolorindo.Não tenho gosto por cigarros, porém, se eu gostasse, poderia criar uma nuvem venenosa e me afogar em um ritual.
Mas eu realmente não fumo. Tenho gosto por tulipas.

Tulipas não vivem onde mora ausência. Minha sala anda recheada de saudades velozes.

Contudo, certamente não sei se a ausência é apenas de você, sabe? Por entre as pedras soltas, eu acabei descobrindo que ando sumida.
Será que foi o vento de Julho?

Dia desses achei um poema, debaixo de uns livros velhos. Perdi o Leminski que estava lendo, mas guardei a poesia.Desde essa hora em que o achei, pareceu-me que eu sumia. No começo achei que era viagem... Mas agora vejo que me ausentei. Em lapsos, tempos em tempos, percebo que sua bagagem seguindo ao seu lado, de ida demorada, levou-me um pedaço.

E, a continuar nesse episódio, sua conexão via celular, me arrancou mais alguns estilhaços.

A julgar daí, todos os momentos, foi como se eu estivesse me desmontando, periodicamente, e alcançando seu gesto de alguma forma: Ora pelos remansos dos rios do Recife, ora pelos pingos de chuva.

A vida é mesmo um desmoronamento progressivo. Eu fui ficando metade, fatia, pó...

E no último dia, antes de vir embora, não percebi ( e nem você ) que eu ficava, completamente carcaça, dentro daquele ônibus interestadual.


(Jessiely Soares)

22.8.09

Caro órfão de Amélia,

Minha repugnância é exatamente contra os da sua espécie, a mesma espécie que quando pedimos para passar o sal diz que temos duas pernas e dois braços, e ainda tem a audácia de falar: "Amor, é bom você usá-las porque senão atrofia, me agradeça depois".

Esse mesmo sujeito-homem-das-antigas que na pré-história puxava a mulher pelos cabelos hoje em dia se morde de medo de enfrentar a terrível bolha assassina de sabão que vive o fundo do tanque. E depois nós mulheres que somos o sexo frágil, ah, mas eu dava meu braço para ver um homem parindo um bebê. Vocês homens-cavernosos já sofrem por causa de um mísero cortinho de papel no dedo.

Poupe-me de seus choramingos provenientes da super-mulher, aquela que faz o dia ter quarenta e oito horas. Que além de cuidar dos filhos, trabalhar e tomar conta da casa, vocês cavernosos ainda acham obrigação dela abrir um sorriso sincero quando chega na cama e perguntar se querem massagem porque o dia de vocês foi exaustivo.

Pior mesmo é que vocês, cavernosos nunca levam nada além da carteira. Chaves? Para quê? Qualquer coisa eu acordo ela às quatro da madrugada para ela me abrir a porta. Sem falar que vocês também não tem que levar absorvente, já que não menstruam. E protetor solar? Para quê? Câncer de pele é mito, mesmo!

Nos desculpe se na hora que damos atenção a vocês reparamos coisas que fazem mal, como por exemplo a cueca que vocês não trocam há dias e que pode acabar te dando uma infecção, ou as unhas mais grandes que as nossas cheias de craca embaixo, ou então se você vai para um jantar meio chique com seu chefe com aquela blusa que vocês tem há anos e que está pior do que o pano de chão que a empregada usa para limpar o depósito a cada dois meses.

Quanto as amantes-psicopatas. Que grandíssima bobagem. Vocês são os culpados, falam que nos amam, que querem se casar conosco. E apesar de não terem A Pegada a gente ainda acha vocês bonitinhos, sensíveis, mesmo apesar de nos mandarem calar a boca porque preferem escutar o Galvão falando de 22 homens suados que gastam uma hora e meia correndo atrás de uma bola.

Ah, lá vem a história dos direitos iguais. Queremos direitos iguais! Vocês também tem que lavar roupa, a louça, cozinhar, levar crianças para a escola, ir para a reunião de pais. Tenho uma ideia: vamos começar a reclamar dos seus pelos, das gordurinhas, vamos trocá-los por garotões mais novos, vamos mentir quando chegarmos em casa as quatro da madrugada. Pronto, agora estamos iguais mesmo.

Grata
Colunista Romântica

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=5370511713486226548&kw=mulheres+modernosas
veja a carta aqui

20.8.09

Encontro

(Foto Mariah)


O quintal me chama
por meu codinome
para que eu assista
ao pé de meus desejos
o céu passar imenso

abre-se o firmamento
salpicado por nuvens
e bandos alados

convida

dá-me asas

além de onde
aqui eu repouse
meus olhos intrusos

deleito sabores
em sentidos
não meus


Agatha R.

19.8.09

Fim de Festa - Flá Perez

Então...
me dá um gole do seu copo
– só um gole de cowboy
põe um som
do Ed Motta ou Aerosmith
e eu tô perdida.

Faz todo esse cheque-mate
em pedra dura,
de recitar romance
entre os joelhos,
dizê-lo eterno
até que um dia fure.

Mostra o platonismo
dos seus versos
nas preliminares do sexo,
e pede;
"dá pra mim, dá?"

Enfia a língua escrota
na minha boca,
sente a trama toda
da calcinha.

Assim eu penso
"que se foda!"
e te chamo de meu homem...

Só não peça que amanhã
lembre seu nome.

O que escrevo vem de mim





O que escrevo vem de mim e me subjuga.
Já até tentei calar, manter silente
Esse fogo que o meu prantear enxuga.
Ah! De nada me valeu até o presente.

Mas vaidade nunca tive com meus versos,
Eles surgem logo após a contração
De meu ventre, como em parto bem transverso,
Pois que nascem sempre gêmeos e pagãos.

Sem magia, o amadorismo rege a pena.
De uma fonte, que eu não sei qual é,
respinga Rima fácil em poesia tão pequena!

Eu então deixo que venham desse jeito,
Doloridos, iguaizinhos e impacientes.
Só assim sinto limpar-me o inulto peito...


Magmah

Vídeo feito por e com voz de Magmah.

Ah, as mulheres...




Foi nesse exato momento, que tudo a mim veio à tona...

As mulheres pouco e as bem amadas, algumas de andares altivos, outras de olhares sombrios, sangrando regras e sonhos desfeitos, lamentando pequenos e indigestos defeitos que sorveram em anos de inquietação.

Muitas delas velavam o sono de suas crias, enquanto vazavam leite ingressadas no paraíso... Sussurravam amores, atentas ao menor ruído provocado por cada gesto, pois sabiam, que a vida tem sono leve e que se desperta no pequeno intervalo de um suspiro de com(paixão) e que o silêncio é um grito mudo, que se faz na luz da dor de um parto ou num momento de solidão.

Silêncios que se escutam ao longe, na distância exata entre querer e poder... Para algumas um longo caminho, já para outras a distância de um passo, e para todas, qualquer uma delas... Uma gota de eternidade entre a vontade e o viver.

Dão-se ao luxo de sentirem-se as mulheres que são, e que por força da natureza, cada uma com sua destreza e com sua beleza, se dedicam, se pintam, se borram, se mancham e também se desmancham, qualquer uma delas, pela força de alguma força, que lhes move rumo ao incerto, pelo sexto sentido no certeiro momento ao que pode quem sabe, um dia dar certo.

Sabem que a inteligência e a busca de uma mulher, também se fazem da eternidade de esperas, como um relógio parado que algumas costumam dar o nome de tempo...

E ainda assim cantam, encantam e dançam... Entorpecendo deuses e se fazendo musas, mesmo quando mulheres reclusas... Rodopiado ao som da música que lhes resssoam do próprio útero...

Mulheres vestidas de nudez e em momentos de louca lucidez, estancam guerras e abrem pétalas e algumas delas, por prazer ou no pranto ainda abrem asas e criam anjos, combatem demônios e inventam sonhos.

Muitas vezes, há de se perceber uma triste alegria ou quem sabe uma melan(cólica) alegoria no íntimo de uma mulher.

Contraditórias e contestadoras, construtoras e zeladoras, de homens de sonhos, de fantasias e crias.

Toda mulher é naturalmente hemorrágica e derrama poesia.

Poesia esta, que mesmo despercebida invade como música e trás desejo de em alguns dias sair por aí a bailar, nua e crua e a contar pra quem no caminho cruzar que ela dança porque não tem tempo, não tem dinheiro e não faz guerra... Que tem a natureza líquida e carrega consigo a fluidez e também tem correntezas como os rios...

Toda mulher quando ama, transborda enchentes e inunda suspiros com seja lá o que for, que lhes causar antes do êxtase, arrepios.


(sheyladecastilhoº

18.8.09
























A um moço


Ah! Moço de tão pesados olhares
Retire de mim os olhos ousados
Porque iguais aos teus já tenho aos milhares
Num cofre escondido há muito guardado.

Mas pouse-me um lírio sobre os cabelos
Uma rosa querida às mãos me traga
Que meus olhares, ainda vai tê-los
Mais pesados que o bater duma vaga.

Bia Corelli


(descubra o autor do texto e ganhe o prêmio)

Retrato de Ivan Guardia

16.8.09

Da ausência de malícia



Mulher- Nu de Eugéne Durieu


Se de pranto ou mero encanto
Cosi palavras sobre tua pele
Em matizes crus e alterados
Uma flor - de- lis deixei tatuada,



Não te flageles por minha ousadia
Porquanto digo com exímia certeza:
Sei o teu valor, fé e sabedoria,
Nunca quis ruir tua fortaleza,



Se és pecador, estou condenada
À fogueira fria, ou então, uma espada
Que perfure os olhos que quiseram ver
O brilho dos teus num alvorecer.

sarraceno perdido




a noite cai sem cuidado
a lua pesa sobre nuvens
enquanto me desfaço

o sorriso desaba num canto
e eu me arrasto
na alquimia dos desastres

a malha dessa armadura
sempre desfia
quando todos ficam do outro lado da porta

a espada quieta e queda
a armadura esgarçada
as asas quebradas

eu sei

é só fechar os olhos
e ouvir a canção


em que recitas todos os pecados
grandes e pequenas máculas
numa fila estupenda

a tua sombra guardada
a garganta embargada

eu sei. eu sempre sei.
é só fechar os olhos e
ouvir a canção
aquela ária sem fim


.

Rosa Cardoso.
*Imagem : vincent-van-gogh-man-with-his-head-in-his-hands

15.8.09

Algumas vezes o sol não se dá conta que quando aquece demais, queima. Assim são as pessoas, como dizia Schopenhauer: somos todos porcos-espinho, se chegamos muito perco nos espetamos, se nos afastamos em demasia sentimos frio. Tem casos que o espinho entra tão fundo que dói mais tirá-lo de si que deixar o outro por perto.

Tem dias que a sensação é de que as feridas sangram mais do que se consegue repôr. O ar sai do pulmão para espremer o coração. Seja pela falta ou pelo excesso. Não há como esquecer o toque das mãos, ou os olhares penetrantes, como lança. Te espeta sem pedir, e fisga, e tira o chão dos pés. Ou então o vento frio, cortante, que quando passa leva um pouco da sua vida consigo. Enfraquecido, é assim que se fortelece. E a vida que nos leva não é recuperada. Por isso que morremos. Porque a vida para vivermos eternamente foi sendo-nos roubada aos poucos, tão aos poucos que nem notávamos.

Tenta-se não morrer, usamos roupas para nos esconder do vento. mas a lã é fina, e não protege ad eternum. O frio sempre consegue nos penetrar atpe os ossos para de lá assaltar a medula. Medimos a qualidade de vida, que nada mais é a quantificação bestial dos nossos valores dentro da realidade submetida aos valores sociais. Mas isso é só outra suposição. Talvez não valesse a pena pensar se não fôssemos uma sociedade, se não tranmitissimos valores e aprendizados, cultura. Aculturados. Apenas outro blá blá blá de quem não viveu experiências que defende.

Assédio



Não há muito o que lembrar sobre sexo, ela dizia.
Não gosto mesmo!
É uma necessidade, uma armadilha, um prazer fugidio, uma obsessão, uma arma.
Uma forte lembrança: os dedos e mãos de meu tio....



Patrícia Gomes
Imagem:Hans Neleman



PS: A intensão é que esse conto não fique apenas como literatura, mas que possa ser visto também como um alerta, pois o abuso está mais perto do que a gente imagina e ainda enfrenta o medo das vítimas de denunciarem e, infelizmente, o preconceito.

14.8.09

Vara Curta



Cutuca com pau de laranjeira, espreme até sangrar, sabe muito bem como manipular as batidas do coração de uma onça brava. Ele quer apenas se divertir, estalar o dedo, e, ela mansamente, sem medir esforços, em seus braços cair . É uma fêmea da melhor espécie, pele brilhosa, limpa, seu cheiro perturba machos vira-latas, machos com pedigree. Uma mulher-onça, com olhar carente, mas firme, sensualidade em cada pisada, leve, sorrateira, só que tem um defeito: acredita em sapos que viram príncipes – vive um conto de fada - espera um cavalo branco com asas. Acha que ele é sua alma gêmea ou que já se amaram em outras encarnações, até vela para anjo da guarda acende para não morrer de paixão. Esse felino ouriçado se sente o mais cobiçado do pedaço, mostra-se forte, pleno, livre, porém, esconde um machucado – imerso no seu orgulho. Quer todas as fêmeas imaculadas lhe dando banho de língua, e, até agora ainda não encontrou nenhuma para lamber seu ego ou aliviar sua míngua. Uma solidão que se esconde quando entra no estado liquido da matéria do homem, um transbordo que pode ser comprado, às vezes, sem muito esforço pode ser dado. Que bicho dá no homem que o faz com apenas uma mulher ficar? Não ter mais olhos para outra, que o faz até mesmo chorar? Já não canta mais de galo e nem se atrai por galinha. A mulher tem que caçar esse tal bicho, do contrário vai continuar se vestindo oncinha. Mas se isso for uma conseqüência... é melhor não cutucar com vara curta!

13.8.09

pusilânime

(Imagem Google search)


meu sorriso sitiado
não tem forças
para chegar
do outro lado
da boca

fica assim,
débil e pálido

mero esboço
imperfeito




Agatha R.

12.8.09

Dar wini, vidi, mas será que vici? - Flá Perez

O meio muda
muito pouco
o indivíduo.

Então
qual o sentido
da evolução do homem
se carregam
os genes
como uma maldição
do sêmen?



Da faz parte da série "Prelúdios Para Bate-Boca em Ré Médio".

Traço Sutil




De pele macia, veneno em poção,
Sou bruxa e princesa, sou ilusionista.
Meu traço é sutil, sou instinto e razão,
Qual Eva esculpida por um deus artista.

Siso de senhora em riso de menina,
Mistério contido por baixo do véu.
Capricho, incoerência, ilusão - minha sina.
Criatura pagã e tão perto do céu!

Meus tons cor-de-rosa e vermelho paixão,
Tua esfera sublime no vão da retina,
Sou anjo e animal, sou pra ti sedução.

Fatio tua alma em camadas tão finas
E habito recintos do teu coração...
Carrego comigo essa graça divina.


Magmah

entre aspas e pernas


escrevo violentamente sobre flores e abismos e nos intervalos dos sentimentos de ausência, insisto em recordar de um corpo cor de mel e me delicio ao imaginar que os olhos noturnos que lhe boiam na face, observam como eu, o mesmo por do sol que mergulha baixo em alto mar e amanhece redundante e fumegante no japão...
sempre soube que o volátil das coisas, se perpertuava na eternidade do que um dia foram. e por isso são. e pelo infinito para sempre serão.
eu gosto do movimento dos planetas e suponho as estrelas que não se avistam nas grandes cidades, assim como amo ter o sol brilhando em leão.
cativo orquídeas e bromélias e ainda me movo com os girassóis, assim como quem busca um lugar sob os raios do rei. reino em meu castelo e cultivo a solitude necessária para transitar entre versos e saudades, uma maneira sutil de manter sob controle a minha íntima e própria loucura.
em alguns dias, acordo tarde, acendo um incenso para budha, degusto uma maçã argentina, beijo a imagem da virgem subtraída de um triste leito de morte, olho profundo e demoradamente os olhos de chico buarque na parede do quarto, prendo fumaças loucas e verdes e parto de vestido branco e longo para a gira, trago um cigarro mentolado que prolonga a sensação de dentes recém escovados, sigo por entre sirenes e monóxidos de carbono que me roubam a calma, mas em busca da fé que me faça seguir, mesmo com uma saudade de gosto ferroso que sinto há meses grudada na garganta.
sonho acordada com encontros na maresia. um encontro de olhos e bocas e línguas e chicletes. onde masco as mucosas, a saliva e a saudade. com vontade. e depois peço que engula minha umidade, que me inunde de vaidade e que sem humildade me penetre o mastro e no meu peito hasteie a tua bandeira se tornando o dono da parte que de mim, há tempos possui... para fazer daquele passado inferno, uma sonora de harpas manhã de sol e entre aspas e com a sua áspera barba por entre as minhas pernas, também imploro a boca rouca que me arranhe a nuca...
nunca. nunca um dia imaginei, que pudesse sonhar ser feliz assim!
agora sei, que tenho urgência mais do que sempre. pois não vou deixar que a possibilidade de um novo encontro, apodreça como as bananas na velha fruteira, nem como o presunto esquecido fora da geladeira.
não quero dormir com esse desejo na boca e com essa sede nas mãos.
te procuro em outra fome.
mas um dia, sei que te acho...


(sheyladecastilhoº

10.8.09

Leandro Jardim






















É um prazer estar aqui descobrindo gente nova brotando e florescendo, neste solo fértil que é a rede. Leandro Schoemer Jardim foi mais um achado, uma dessas raridades, uma jóia, um oásis de bom gosto e de boa leitura.

Carioca, compositor, cantor, letrista e poeta, nascido em 1979, em Birmingham, na Inglaterra, onde seus pais brasileiros foram estudar mestrado e doutorado. Voltaram para o Rio de Janeiro quando ele tinha três anos de idade. Leandro faz questão de enfatizar que é brasileiro e carioca.

Diz ter começado a tocar violão aos dezoito anos, autodidata, contava apenas consigo e a boa vontade dos amigos, o violão era companheiro inseparável, começou a transformar suas tristezas compondo letras de música e confessa que no princípio não tinham qualidade.

Ao entrar no curso de comunicação da PUC, seu interesse por arte e música, em especial, deu uma guinada. Juntou os amigos em uma banda chamada Kauabanga e apresentou-se em seu primeiro show.

A banda acabou, mas Leandro continuou compondo e iniciou as gravações de seu trabalho e foi isso que marcou a sua guinada de compositor pra poeta: quando decidiu ser letrista, focar a parte da composição.

Conheceu Rafael Gyner, atualmente seu parceiro musical, que o presenteou com um livro de Fernando Pessoa, citou também Manoel de Barros, como influência, embora admitindo ter um estilo próprio, diz que a poesia foi elemento modificador em sua vida.

O blog nasceu dessa sua empolgação pela poesia e pela música. Nele Leandro nos brinda com seus poemas melodiosos, sonoros, que nos fazem viajar nos sons, nas toadas da natureza e da urbanidade. Traz amor e lamento em seus versos, afiados, cortantes. Vale a pena conferir!


Recomendo os livros:
Todas as vozes cantam (7 Letras, 2008)
Poesia Presente (Indie, 2006)


Blogs:
http://florespragasesementes.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/

Ouça Leandro Jardim
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=34585

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

9.8.09

Regurgitando arranhões




Desconheço pensamentos sensatos
visto que no segundo ato do momento
minhas ternuras vis se entranharam
em covis de paixões e torturas,
chegaram às vias de fato,
arranharam suposições,

escorreu de viés a aflição
do desejo nato em hemorragia,
secou a ousadia de ditongos
substituídos por hiatos
que emergiram à revelia,
do pé de Maria que eu bem sei
que por teimosia, uma vez mais,
brotei.

Erros





.

escrevo longas cartas
discretas e várias
em que rasgo meus silêncios
bilhetes natimortos
repletos de traços picotados
erros inconfessáveis
você não as lê
prefere que remeta meus dedos
meus beijos envelopados
abraços selados

os erros caem sem ruído
numa festa de enganos
confetes coloridos
passeiam pela tarde
e parecem repetir
nossas conversas

vagos e inválidos
seus pensamentos
destrincham minha pele
e minha rima
suavemente


.
Imagem do anime Nana

Sinestesia


*


Não somos parecidos
nem sequer nos desvarios e esquecimentos.

Um porto selvagem se perde além das nossas trincheiras
e o que resulta
além do arrastar uma areia espessa

é algo como um chuva
num chão devastado por
cores de serpentes e borboletas.

Tu és esfinge
eu sou apenas
o espectro

e ainda assim, não somos parecidos
nem sequer em nossas tormentas.

Caminhamos lado a lado
eu, fazendo escarcéu com o gosto do toque da névoa
e o teu rosto brincando de incendiar os belos
e mortos
pássaros de ar

que tu mesmo inventas.



(Jessiely Soares)

8.8.09

O fim do relacionamento

Olá, leitora, a sugestão hoje é o fim do relacionamento.

Hipótese 1: Ele não te quer mais e você ainda stá apaixonada.
Neste caso você não teve tempo suficiente para se desencantar. Aposto que você não ligava para os defeitos dele, irrelevava tudo. Leitora, a verdade é que você é boa demais para ele - tipo incompreensivo e bem impaciente - que nem consegue entender que você está em TPM. Não se desespere por ele te deixar. Imagina passar sua vida com alguém que você nem pode contar para abrir um vidro de palmito? Como diz minha mãe: para quê chorar por um quando há milhões no mundo?

Hipótese 2: Você gosta dele, mas a situação está ficando insustentável.
Bem, é hora de parar para pensar, leitora, ele é assim ou está numa fase ruim? Se ele é assim o melhor é sair dessa o quanto antes, afinal, como diz minha mãe: para quê chorar por um quanddo há milhões no mundo? Se for uma fase ruim sobram suas opções. É sabido que você, leitora, também tem fases ruins, afinal todo ser humano as tem, se quiser ser compreendida tem que compreender (é dando que se recebe). Contudo, essa fase ruim dele não é a primeira e provavelmente não será a última, como diz minha mãe: para quê chorar por um quando há milhões no mundo?

Há aquelas que confundem romantismo com submissão. Nada disso, leitora, voc~e não tem que tolerar o que te faz mal, como também há de ser compreensiva com quem merece.

O fim do relacionamento: Bem, todo fim de relacionamento é traumatizante, não que isso seja ruim, mas todo relacionamento acrescenta experiência (que você guarda muito bem. Acontece que homens acabam por nos ver como um problema nesse período um tanto conturbado, e a falta de tato aliado ao desespero de se "livrar do problema" acaba por transformá-los naqueles monstros que nós bem conhecemos. Sabe aquela história do "precisamos conversar"? Que você quer conversar com ele e de repente ele te despeja tudo e ainda por cima acha que fez tudo com jeitinho. Pior é que quando ele termina se sente aliviado, como se nós fossemos um robô que assimilamos informação, mudamos configuração e ainda ficamos felizes em fazer o jantar para esse canalha! Ah, com certeza, afinal relacionamento nada mais é que contrato de prestação de serviço. Daí você dá um risinho, diz que está tudo bem e quando ele vai embora você pega o telefone e a noite estão você e suas amigas falando mal de homem e comendo brigadeiro enquanto tem filme na tv... Como diz minha mãe: para quê chorar por um quado há milhões no mundo?

6.8.09

Heterogênea

(Imagem Ben Grossens)

de limpo
meu passado
não tem nada.

que importa,
se junto com a esquina
também eu dobrei?

se amanheci menor,
e piorei a olhos vistos
sob meus próprios
sentidos?

que diferença faz
vezes tantas
que cuspi
no prato em que comi?

se nem sei o nome
de quem me comeu?

importo eu

que não me misturo
aos iguais

o melhor de mim
se dá entre os diferentes...


Agatha R.

Rafael Nolli


É um prazer estar aqui falando de escritores jovens e talentosos, Lucas Rafael Nolli Duarte ou simplesmente Rafael Nolli, como se apresenta, é mais um desses doces encontros nessas minhas viagens cibernéticas. Mineiro, da cidade de Araxá, nascido em 1980, esse menino já tem um livro de poemas publicado, intitulado “Memórias à beira de um Estopim."

Diz que seria complexo falar de influências literárias, pois tem várias, desde Dostoevski, Gabriel Garcia Marques, Cecília Meireles, Augusto dos Anjos, até Nietzsche! Disse que não queria esquecer nenhum de seus preferidos. Confessou ainda que o teatro, o cinema e a música tiveram e têm um papel importante em sua formação intelectual.

Seu estilo está longe de ser estilizado.Garante não se seduzir por manobras estilísticas, tão comuns na poesia atual. Gosta de trabalhar a sonoridade, na interação de palavras e signos, e diz usar seu verso para atingir as pessoas, rechaçando o típico poeta que se distancia da realidade e não usa da poesia como instrumento modificador ou como movimento de quebra com a elitização da poesia.

Num primeiro momento, vi traços de rebeldia nele, na sua escrita disforme, sem regras rígidas, mas isso foi se dissipando, por notar que sabia perfeitamente o que estava fazendo e que era algo premeditado, arquitetado em sua mente brilhante.

O que mais me agradou, na escrita de Rafael, foram suas aliterações, ele faz música, brinca com as palavras de uma maneira desajustada e encantadora, mas parece que faz isso de propósito também. É um jovem engajado, participa de movimentos interessantes, tanto em blogs quanto em comunidades do Orkut.

Como eu, Rafael tem se dedicado muito aos blogs e a essa nova geração (poetas, músicos, artistas plásticos, pintores) que usa a rede para divulgar sua arte.


Recomendo:
Canção de Ninar
Dança das Nove
Poema de Amanhã
XXXII

Blog:
http://rafaelnolli.blogspot.com

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários!

Dúvidas ou sugestões:

larissapin@hotmail.com

5.8.09

Carmelita dos Patins - Flá Perez

Coisa mais chata,
esse negócio de amor!

vou virar freira
e me masturbar na cela,
embaixo do cobertor...

Sobre o livro "O Vendedor de Sonhos"


Estive lendo o livro “O Vendedor de Sonhos” (O Chamado - o primeiro da série), de Augusto Cury, e confesso que não me fez estremecer nem causou impactos de ordem emocional e psíquica como eu esperava, porém tem umas lições de moral bem interessantes, se a gente estiver a fim de parar pra pensar.

Trata-se da história de um homem desconhecido que sai pelo mundo proclamando para quem o ouça que a sociedade, com suas regras e cobranças, com o valor que dá às aparências e pelos preconceitos que incute nos cidadãos, se transformou num hospício global, onde a dita “normalidade” não passa de uma espécie de uniforme que todos optam por usar para não sair de suas rotinas, para não serem marginalizados ou discriminados simplesmente por suas características humanas... E ele recruta pessoas que vai encontrando pelo caminho para que sejam seus seguidores na arte de vender sonhos, ou seja, fazer com que os outros repensem seus modus vivendis, suas pirâmides de valores, se libertem das amarras de uma vida toda planejada e certinha, enfim, deixem de se levar pelos vícios adquiridos no decorrer de suas existências e que acaba impedindo-os de vê-las com os olhos da pureza e da boa vontade, com a inocência que tinham quando crianças, antes que os adultos os começassem a “educar para o mundo”.
È ele um homem eloqüente e cativante, que convence a todos com suas argumentações filosóficas, deixando no ar pairando uma pontinha de dúvida: será ele um sábio ou um lunático?

Eu gostei. De longe, jamais terá sido um dos melhores livros que já li, mas que faz pensar, ah, isso faz... E, na minha opinião, não se enquadra na categoria dos de auto-ajuda, de forma alguma. É uma historinha de ficção que nos possibilita insights e alguns momentos de meditação, se a eles estivermos pré-dispostos. Se mais alguém o ler, depois me diz se gostou, ok?

Magmah

a primeira vez

ela ia ao encontro de alguma coisa que ainda não supunha certamente encontrar, ia sem pressa.
sabia de sombras, que se apressavam em se antecipar ao encontro.
o sol pesava-lhe as pálpebras e os cílios refletiam prismas na retina.
pensamentos silenciosos despertavam as ruas, as casas e os olhares por onde passava
e o tempo não lhe pesava...
andava pelas pequenas ruas relembrando contos e encantos, enquanto entre ladeiras, buscava alguma coisa rumo ao topo, no destino do horizonte.
havia uma lua fraca sob a luz do sol, costurada no azul do céu... ainda. e linda.
o chão de terra, lhe parecia crocante sob os sapatos. ouvia o silêncio tenro de seus próprios lentos passos...
a casa... a mesma casa, no mesmo cenário de tantos anos atrás... lá estava ela, a casa, talvez com as mesmas rugas que o tempo lhe entalhou o rosto, mas ainda era bela. como sabia que também era.
como se fosse a mesma menina, entrou com pouca dificuldade pela janela ainda sem tramela.
tudo estava no mesmo lugar, um tanto empoeirado de pó de estrelas que invadiam pelas frestas e havia no ar um certo peso de solidão... que também era dela, mas tudo que deixou, estava lá.
na estante, adormecidos livros que lhe ocupavam tardes na beira mar.
foi de encontro aos livros que lhes eram proibidos na juventude, que sabia estar ainda escondidos entre enciclopédias defasadas de muitos tempos atrás.
quando lentamente passou os dedos sobre a capa ressecada, sentiu que alguma coisa lhe molhava. a boca. a nuca. o sexo.
abriu a vigésima oitava página e percebeu um suspiro vindo do livro misturado com seu leve gemido e como se não fosse mais tempo de nada resistir, deixou que fosse jogada contra a estante, permitiu que o vento lhe desnudasse o véu que lhe cobria a cabeça e que os verbos lhe desfizessem o coque prateado, enquanto devorava com maturidade as palavras e versos, que agora lhe pulsavam aos olhos, latejavam o sexo e nítida e lentamente permitiu se não implorou, que lhe penetrassem o corpo e a alma.

"mil poetas e porras decantam

quando ainda o cachorro era de berço

umas moças por graça lhe pegaram

na pica já taluda, e de repente

pelas mãos lhe correu a grossa enchente..."

tinha ela 83 anos e há pelos menos 67 esperava o dia desse encontro.
de fazer amor pela primeira vez.
com versos de Bocage.


(sheyladecastilhoº

.

4.8.09

Outro




Vergo ao silêncio que me cala
Onde fico fria, nem resvala
Um bocado de calor no corpo ainda desperto
Embora bem coberto.

Calo ao silêncio que me verga
Tão quente e tão fria ao mesmo tempo
E ainda não enxergo sonhos novos
Pois sono não me vem, nem implorado

E olho o teu corpo aí, prostrado
Agora mesmo meu, já não mais isso
Embora dentro em mim teu sêmen novo
Teu feito novo, o mesmo velho fato

Me esvaio de incerteza e insônia
De pouco amor e tanto suor trocado
Na cama, nas cobertas, no bocado
Onde pensas que é meu dono

Mas cá dentro onde pensas estar guardado
Fica apenas o teu ofegar distante
E ante esse quadro ofuscado
Fico, insone, desejando outro amante.

(Elena Pacce)




Descubra quem é Elena Pacce, lembre-se que o primeiro a acertar ganha o prêmio.

3.8.09

Prato do dia




Não só fome ou inexplicável gula,
palavras come por compulsão,
inúmeras fúrias desencadeiam um buscar sem pesar,

o peso na boca do estômago zomba e ri,
então, em total asfixia,
comprime cada letra tardia
que a pouco estava ali,

vomita uma vez mais, gargalha...
como se em transe atingisse o ápice de sua anorexia
enquanto expele sua torpe caligrafia
delira e imagina: - qual será o prato do dia?


Maria Júlia Pontes

Imagem: http://www.geocities.com/thelart/desenho.htm

2.8.09

Desatino



distraída
na pedra fria

caída ,
na chuva
balbucio atos.

todos falhos

o lobo sorri
escondendo os dentes
eu sorrio
desvairada

o frio escorregando pelas entranhas

cortada ao meio
lacerada

descia pela chão
em belos arabescos


* Imagem : desconheço o autor

1.8.09

Arquiteto



Não sei ao certo
O que me devora,
Mas gosto do meu gosto
Em sua boca.

Tudo o que criei
Nublou-se e me cega, mesmo
Tendo-me como estátua
Sem roupas ou véus...

Tão bem arquitetada me achava
Nos idos da infância, no entanto,
Muitas foram as voltas
Dos dias e noites.

Restolhos do que fui caem
Dos olhos, à medida que
Miro-me das sacadas da vida
E vislumbro as nervuras da
Laje da minha existência...

Tentei fugir algumas vezes,
Mas olhos, seios, ventre,
Sorrisos e algo mais
Possuem-me com brutalidade...

[Será esse o gosto que gosto?]

Vejo-me incapaz de dispersar,
De tornar-me assassina de
Tantos eus que gritam
E dormem em mim.

Retorno à laje
E já não é estranho
Pensar em recomeçar...



Patrícia Gomes
Imagem: Desconheço a autoria

Olhos de jabuticaba em tarde verde


Para Anniely Mariah.




Por seu barulho
a casa em silêncio
ansiosamente espera

Os pequenos quadrados
os jarros pintados
as paredes fingidas de tela.

Menina, furacão extra tropical

Nos espaços onde você impera
rastros de flores e cavalos
canções de ninar em abraços

Segredos entre criança
e bonecas.




(Jessiely Soares)