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29.11.09

pequeno príncipe


há tantos planetas
pequeno príncipe
tantas galáxias distantes
entrevistas nas frestas
dessas conversas

há tantos laços,
pequeno príncipe
tantos beijos partidos
nessa voragem rasa
em que vagamos rendidos

são vórtices furiosos,
querido amigo distraído e
mastigam teu sorriso
que vagueia no poente

há tanto para não dizer,
pequeno príncipe perdido
tanto para não fazer
não vê?

a tarde caiu pesada e ávara
o sol enlouqueceu
tingiu tudo de um vermelho
vago de inferno

bruxas e santas me recitam
num delírio de céus e pecados
cada vez mais caras
irreais, surreais

é tarde, meu pequeno
(rosa cardoso)

28.11.09

Engenho



No pouco tato que tenho
Nada digo de engenho

Moo sementes e folhas secas,
Das raízes extraio exílios

Espio passados se fartando
No leito do presente

Há tanta sobra de gente,
Sobejos de paixões falidas

E a tarde desmaia
Quando um pouco da noite
Dobra a esquina


Patrícia Gomes
Imagem: Thorn Erose

Camiñante - Diários da Distância VI

http://images.worldgallery.co.uk/i/prints/rw/lg/8/0/Henri-Matisse-Naked--1941--Silkscreen-print--80191.jpg


Partida à revelia.

O deserto se esgueirava ali, bem em suas costas, tatuado como uma dança de serpentes.
Ela, partida à revelia, carregava num pequeno cantil a casa guardada, segredos de poeira.
Existiria música, e também quem pensasse em lhe agradar os olhos com as ondas barulhentas de um mar sem doçura alguma.

Nômade, catava grãos de pensamentos pelas calçadas arruinadas.

Há pessoas que nascem para o ar, outras tem o corpo de águas marinhas,
ela, arrancada das rochas de seu lugar, era do vento do deserto, das areias do passado, das cidades andarilhas.




(Jessiely Soares)




Imagem: Henri Matisse Naked--1941

27.11.09

Antenas


Pendurou a camisola vermelha no mancebo do quarto. Não a usaria nessa noite de pesadelos incólumes. O melhor estava por vir através das antenas dos rádios transmissores: a volúpia, sarcasmo e ardores que cultivara desde tempos perdidos na atmosfera de outros.
Obcecada por antenas, certa vez fora ferida na perna esquerda escalando uma delas. e não foi a primeira vez. O corte nem tão profundo, causou certo espanto aos olhares oriundos da platéia de moleques na adolescência. Desceu e enrolou a parte da coxa com um lenço que usava na cabeça, nada acontece: - pensou.
Em casa percebeu a profundidade do corte. Costurou com agulha e linha de algodão sem sentir dor. Ninguém mais saberia do ocorrido, não fosse o espião que se pendurava na janela de seu quarto, todas as noites.
-Maldito.
Certo dia durante a fuga perdeu um dos pés do tênis que usava: número 43.
Miserável, sua mãe aguarda a vez
Após um mês, uma senhora foi encontrada no matagal que circundava a cidade, morta.
Usando um pé de um tênis;
Adivinhe o número?

26.11.09

Déjà vu


(Imagem Google search)

À janela crispada de enredos
debruço esquinas cansadas

tolices me cabem bem mais

toda a complexidade
das grandiosidades alheias
parece-me minúscula
diante do dia de hoje

seus séquitos excêntricos
pseudo cabais

já que lá fora o circo
eu vejo em chamas
e os porcos faceiros
chafurdam na lama

enquanto procriam
contendas letais

Agatha R.

25.11.09

Encantação - para Chacal não ler - Flá Perez


                                                                              Canis adustus na Balada Literária
Morena de olho azul,
a poesia de corpo inteiro
é falsa-magra

-e sai carnuda-

Poesia não envelhece,
nem precisa de viagra,
poisia embora, mas voltou,

Poisio de Janeiro.

24.11.09

de minha origem
pouco sei
pai comerciante
mãe costureira

ele doava o tecido
e ela o costurava

talvez por isso
o alinhavo

linhagem
de casta indefinida

nada sei.

22.11.09

ARCANO 16


o vento brinca com a árvore na janela
e tua voz vem riscar a vidraça

é tão tarde

quando sussurras teus versos
em rimas surreais
que deslizam pelos meus sonhos
junto com umas lágrimas descabidas

é tão tarde

para riscar peles e vidraças
até os mortos sussurram
longas árias
em cadencias insanas
enquanto você chora
em rimas perfeitas
murmura histórias arcanas

versos
música
hosanas e teu corpo

é tão tarde

eu sussurro
os mortos mentem
em línguas mortas
enquanto a tua desliza
no céu da boca
segredos estelares
bobagens seculares

mentiras de vento e folha
que eu finjo não ver
nesse gozo esquecido
perdido entre as frinchas da noite
eu entendo
tudo, ou quase tudo,
de tudo que nunca entendi

meus olhos ardem
e te esquecem um pouco mais
fecho o livro sem pressa
guardo o poema junto aos meus
que dormem sozinhos

teus mortos sussurram
é tão tarde

21.11.09

Em Duo


À Mulher Mal Amada

Urdideira de fios alheios,
anverso sem reverso
coração varrido e amoral;
vestiu-se de amargura e
ancorou na vida;
traga tudo com[o]
amargosa cachaça,
enquanto a parca razão [que tem]
dorme criança
na cadeira ao lado.


Patrícia Gomes
Imagem: Trixis





Sinuosidades

O sol pôs fervura sobre

Minha pesada cabeça e
O tempo corria cru
Feito semente

Quase segui por
Mais um descaminho,
Culpa do dourado das folhas
Do outono a emoldurar a tarde.

O madurar das árvores e
O castanho chão [feito mancha de café]
Faziam queda de braço
Afim de reter o cheiro dos passos meus

Mas é sinuoso o caminho que
Sigo com vasto querer e
Ardo como desejei, pois
Há luz em minha carne

E as águas batem sem passado
E sem futuro.



Patrícia Gomes
Imagem: Desconheço a autoria, mas pincei no Google

Quinta estrela

http://mob185.photobucket.com/albums/x93/perdida2007/MULHERES3/estrela_mulher.jpg?t=1242309515


Eu poderia,
numa hora dessas,
ser alguma atriz.

Encenar uma peça
onde no fim da festa
pusesse meu sonhos na ponta da quinta estrela

deixando-os
pendurados
de cabeça para baixo

por um triz.

Ou será
que em todos esses devaneios
em toda essa ideia de esquecer meus anseios

eu já não o fiz?






(Jessiely Soares)

20.11.09

Contra as Regras


Do nada, ela viu uma fumacinha em formato de carranca atingir sua áurea. Era como se seu pulmão estivesse sendo arrancado em um tempo que, para ela, parecia uma eternidade. Sua voz e respiração se separaram, ela experimentou o licor de menta oferecido pela morte que saia da boca de um homem que estava ao seu lado. Quando voltou a si, ela estava dentro de um cinzeiro a céu aberto. Viu muitas bitucas espalhadas, e, um monte de pessoas passando pra lá e pra cá, de longe, avistava várias carrancas saindo da boca de pessoas desmioladas. Em sua cabeça passava um filme de terror que ainda está em cartaz: “O Ministério da Saúde adverte...”. Eis que um tiroteio avança em sua direção... Nina foi atingida em cheio no coração. O atirador portava muita munição, entre tantas estava a que ele mais usava, a nicotina, pois ele acreditava que servia para proteger e fortalecer os bravos guerreiros, mas no fundo ele sabia que era para recarregar seu vicio, uma arma com alto poder de destruição. Ele mirou e atirou sem piedade na jovem. Ela caiu diretamente nos braços dele, a arma do crime é bastante comum entre os homens. Alguns possuem porte ilegal: a sedução.

18.11.09

Evolu(vel)ção - Flá Perez



Sou um animal
extremamente irracional
e eficiente.

Instinto, efeito hormonal,
que seja:

escolhi macho saudável, novo, belo
com gens à flor da pele
e produzi a prole forte
pra perpetuar a espécie.

Carma, Darwin, Deus,
whatever!,
devem estar contentes.

Sou animal que morde e cospe
a compreensão das linhas tortas.

Isso já não me importa tanto
(pois foi uma boa troca).

Enquanto me livrar das frases fáceis,
da morte chata e da vida certa,

ainda tenho sorte.

uma fábula contemporânea

- eu não vim aqui fazer poesia...

- não? veio fazer o quê então?

- dizer que te amo desde aquele dia...

- não fantasia...

- achei que você também me queria.

- queria, mas achei que era minha ilusão...

- comprei por impulso minha passagem de avião.

- eu matei o amor que sentia, te achava tão fria...

- ... eu te acho um tesão.

- eu não percebia...

- me olha nos olhos, me dá sua mão.

- na frente dessas pessoas, não.

- navega no meu corpo, mata a minha solidão...

- já disse que não.

- eu penso em você todo dia, todo dia...

- por que não me disse, antes de eu mergulhar em outra paixão?

- não posso mentir que não te amo.

- não posso fingir que eu te quero.

- te espero.

- talvez quando você se for, eu busque teus olhos na multidão...

- te espero.

- talvez teu amor nunca fique velho...

- talvez eu te faça uma canção...

- pode ser que eu nunca comente...

- e eu fique me iludindo que você nunca recebeu.

- quem sabe eu faça um filme.

- pode ser que eu vire pétala...

- quem sabe eu viro lenda...

- pode ser que eu vire lágrima.
.
- quem sabe você nunca mais volte.
.
-pode ser que você nunca note.
.
- só estou sendo sincero.

- só queria ser amada.

- esse papo me deixou sóbrio.

- pode ser que eu nunca volte...

- pode ser que eu nem note.
.
- nesse caso eu viro lágrima.
.
-ou quem sabe vire a página...
.
(se perderam entre um check in e um black out. não se sabe ao certo se são felizes... mas sem dúvida, são para sempre...)
.
(sheyladecastilhoº


.

17.11.09

as trepadeiras e o musgo

















tão perdida a batalha do vivo
contra a dureza da vida
tão frágil planta
diante dos que acompanham
as águas fortes e correntes

que levam quase tudo
pedaços do corpo
levante da carne
o motim dos companheiros
e mal deixam a dignidade

um revolucionário
sobre a pedra dura
ignora a correnteza
o musgo verde brota
na esperança de sobrevier

talvez crescendo
talvez morrendo
e era só mais uma queda
diante de lutas perdidas
já não quer mais

dali de cima da pedra
ou do fundo do rio
aprecia a beleza
das floridas trepadeiras
ignorantes parasitas

ah, lançam suas flores
no vazio do vento
e desperdiçam energia
que não é delas
e sim das árvores velhas

pobre musgo feio
ramoso, de tão nojento
quase leproso
não traz força no belo
e sim a persistência do real.

16.11.09

Cem respostas


Como se fosse foice
ceifando na madrugada
palavras...
Como se fossem lágrimas
secando o sal defronte
as fontes doces
no nada...

Como se estivesse
na boca da noite
mais leve de insights
e n l u a r a d a...

Como se as reticências
fossem
tu
ele
e os nós dos olhos
nos espelhos
alinhavassem avessos
[na transparência do azul
das asas
das borboletas
Rosangela Aliberti

15.11.09

Febre



Febre

A nostalgia se embrenhou pelos meus cânticos
E causou pirexia em tons românticos,
A noite se alastrou pelo meu dia
Fervi cada palavra que ardia,

Busquei em cada nuvem tão sombria
Os restos do amor que me movia,
O sol escondido em rima pura
Sombreava de amarelo minha clausura,

Rasguei minhas lembranças carcomidas
Sequei minhas saudades matricidas,
Resgatei o meu corpo combalido
Deixei que me inundasse a libido,

Bebi cada verso escaldado,
Reli todas as cartas do amado.



(Poema que recebeu menção honrosa no concurso internacional Nósside,2008.






Imagem: "Nu artístico" dalmodeoliveira.arteblog.com.br

3 DIAS



A mensagem chegou num daqueles momentos em que a linha entre loucura e sanidade em que equilibrava sua vida estava quase translúcida de tão fina. O sol estava bem no meio do céu e o calor retirava dela qualquer vestígio de bom humor. Talvez por isso não tenha respondido. Enfiou o celular no bolso da calça, ignorou a pontada de ansiedade que lhe esmagou o peito e subiu sem pressa estrada tortuosa.
O aparelho tocou avisando da chegada de mais uma mensagem. Apertou os olhos para ler melhor as letras miúdas do celular. Deletou a mensagem e tratou de esquecer o assunto, ele pertencia a uma outra vida. Que tinha ficado para trás junto com os móveis, o computador e a correria da cidade.
Sentia-se bem mais segura ali naquele lugar onde estava perambulando há dois dias. A população era de pouco mais de 40 mil pessoas e a pensão em que tinha se hospedado ficava numa ruazinha estreita e tranquila, onde alguém teve a infelicidade de sugerir que ir até a velha estação de trem seria um bom passeio.

O telefone não tocou mais e ela afinal chegou ao velho prédio onde o mato crescia entre os dormentes e se estendia por todo o terreno, tudo era quieto e silente. Uma brisa suave soprou agitando os galhos das árvores próximas. Ela parou e sentou um pouco à sombra do velho prédio que tinha pequenos arbustos brotando das rachaduras e fechou os olhos.

"Você se escondeu bem dessa vez."

Ela abriu os olhos e encarou-o, séria.

"Pelo visto não tão bem assim. Você não me deixa sumir."

"...não...não deixo. Preciso te ver sempre e você me prometeu três dias inteiros. Lembra?"

Uma nuvem escura cobriu o sol e ela continuava com a sensação de estar num mundo paralelo.

"Como me achou?"

Ele sorriu, fazendo com que os cantos dos olhos se enrugassem.

"Mágica."

"Há quanto tempo está aqui? Há quanto tempo está me seguindo?"

"Você tá muito gata com esse olhar assustado."

"Quanto tempo?"

"Desde que você surtou em São Paulo. Já te disse que só quero meus três dias. Depois vou embora e se você quiser nem telefono mais."
"Que ideia! Não posso passar três dias trancada com você."

"Pena. Tinha esperanças que fosse cumprir a promessa. "

"Não dá e como você disse eu surtei. Vim pra cá ficar longe de todos e isso inclui você."

"Certo, mas já que eu vim de tão longe e você fez com que eu me arrastasse até aqui sob o sol de meio dia, vai ao menos me deixar dividir essa sombra e um pouco d'água com minha terapeuta favorita."

Ele sorriu de um jeito que ela não conseguiu definir, entre malicioso e ingênuo e lhe estendeu a garrafa de água mineral. Ela pegou a garrafa bebeu um pouco e deixou que ele se sentasse ao seu lado.

"Como estão as coisas?"

"Tudo na mesma, poluição, barulho, gente demais. Sem você a cidade perde a graça."

Ela riu e bebeu um pouco mais da água, ele a observava com o canto do olho. Uma cigarra começou a estrilar em algum lugar ali perto.

"Uma cigarra. Você ainda gosta delas?"

Ele recostou a cabeça na parede coberta de musgo.

"Claro. Elas me lembram você."

"Também me lembram você. Tem tomado os remédios? Tá se sentindo melhor?"

Ele balançou a cabeça em resposta e se voltou para ela, que bebia o último gole de água.

"Estava perdidão,tava pensando agora mesmo como minha cabeça esvaziou. Impressionante! Não sei se são os remédios,mas não penso em nada, fora você. A impressão que eu tenho é que não tenho passado, nem futuro...incrível!"

Ela percebeu que mal estava ouvindo o que ele dizia, enquanto o sorriso dele se alargou. Parou de falar e ficou observando um pouco a moça.

"O que você..."

Ele a puxou para perto e fez com que se deitasse em seu colo. Ela não reagiu.

"O que eu fiz? "

Ele acarinhava o cabelo da mulher carinhosa e displicentemente.

"Batizei a água. O cara de quem comprei disse que funciona ainda melhor com álcool, vou ter de te fazer beber quando chegarmos ao carro."

Ele achou que ela estava ainda mais bonita assim entregue. E a beijou devagar., a princípio ela não reagiu, mas depois correspondeu. Ele voltou a acariciar os cabelos dela enquanto falava, mais para si mesmo do que para a mulher que não lembraria de nada mesmo.

"São só três dias e eu vou cuidar bem de você. Vamos pro carro."

Ele a amparava enquanto seguiam pelos trilhos no sentido oposto ao que ela tinha tomado. Chegaram a uma van estacionada atrás da velha estação. Ele a colocou sobre os edredons que já havia arrumado , na parte de trás do carro.

Ela abriu os olhos. Ele a beijou de novo e lhe deu uma taça de vinho.

“Onde estamos?”

“No trem. Não vê?”

“ Trem?”

“ huhum, vamos viajar juntos, como combinamos.”
Ela fechou os olhos e ele fez com que bebesse todo o vinho. Ele tinha escolhido um muito bom,bebeu também e depois a fez deitar. Passou para o banco da frente e dirigiu até a casa que havia escolhido e preparado. Levou-a no colo até o velho quarto decorado com móveis coloniais.

Ela seguia entre acordada e dormindo, obediente como uma criança.

“ Abre os olhos”

Ela abriu.

“Isso. Agora deixa tirar essa roupa.”

Ela se deixou despir enquanto ele beijava cada parte que descobria.

“Agora diz que me ama.”

Ela repetiu a frase, obediente e cordata.

Rosa Cardoso

14.11.09

Epifania ou Não Tenho Tempo


Não tenho tempo para o ódio,
é uma faina inútil,
é perder-se em danças escuras;

os gestos se partem,
descascam e sangram;
não tenho tempo para isso.

Sou vaga;
há tanto espaço a percorrer,
viajar pelo mundo

em espirais e saltos,
deixando sorrisos no ar,
na relva e dançando
Entre as marés.


Cintilo, como anunciação,
A própria epifania!


Patrícia Gomes
Imagem: Pinçada do Google Search

13.11.09

Buzzzz


Quem não Comunica se trombica – uma das marcas do Chacrinha. Pois é, uma grande verdade. isso se aplica a tudo que envolve pessoas físicas ou jurídicas que querem ser sempre lembradas. E, como estamos vivendo transformações culturais, sociais e mercadológicas, muitos estão criando maneiras de chamar atenção para sua marca.

Atualmente, a internet possui n-canais para disseminação da informação capazes de atingir grande número de pessoas instantaneamente. E uma das estratégias de comunicação que pode causar grande impacto, é o Buzz Marketing – um “buxixo” criado principalmente por comunidades virtuais, provenientes de empresas ou não, que faz uma mensagem se multiplicar alcançando milhares e até mesmo milhões de pessoas, ganhando espaço também em outras mídias: impressa e televisiva.

A grande sensação do momento é o lançamento do Novo Orkut, que está sendo divulgado pelo jovem Danilo Miedi, que oficialmente foi o 1º a usar o novo site de relacionamento. Ele praticamente dita o que os internautas devem fazer para conseguir convites para participar. Esse fenômeno me fez concluir o que eu venho percebendo em relação aos usuários do site. A relação entre as pessoas e o Orkut é quase conjugal, é como se ele passasse a fazer parte da vida delas.

A busca por convite é incessante. As pessoas criam vídeos, fazem campanhas no Twitter e nos Blogs. Participam de sorteios, entram em comunidades que, muitas das vezes, nem fazem parte do seu perfil só para conseguirem a nova interteface do Orkut. Entretanto, temos um caso de Buzz Marketing bem sucedido!

Já estou testando o Novo Orkut, porém, é inevitável não voltar para a versão antiga. Ainda não me adaptei, logo muitos amigos ainda não têm devido à centralização de convites – A brincadeira de esconde-esconde que já perdeu a graça, mas mesmo assim o Google insiste em fazer.

12.11.09

O Fruto




Tu me penetras, repleto de luz,
Pura beleza em perfil e semblante.
Lábios e mãos, um calor abrasante,
Bem-vinda estrela, teu brilho seduz.

Ah, deus do Olimpo, meu macho e meu par...
Ramos de oliva tu tranças em pelo,
Coroas com rosas o meu cabelo,
Vieste a esse mundo pra me encantar.

Apolo te inveja e Afrodite te quer,
Cobram de Eros, que uniu a nós dois,
Ter-nos dado o Amor que é infinito, pois
Nós somos apenas homem/mulher.

Antes que Chronos nos cobre o tributo,
Felizes mortais, provemos do Fruto...


Magmah

11.11.09

amor de rapina

sinto os pés no chão, mas me instiga o espírito do voo.... me atrai o olhar da águia e a leveza de ser sustentada, pela força do invisível vento.
às vezes me sinto quase lá... mas é preciso mais que o vento. é preciso coragem.
coragem para optar entre envelhecer na beira do abismo ou planar entre constelações e nebulosas e também rumo ao infinito que se faz entre o mar e o sol, mas sempre em direção a um universo desconhecido, com enormes asas douradas e tão suspensa quanto surpresa pelo que se abre aos olhos, sobre o mistério do céu.
entre cores e flores desabrocham amores selvagens e sensíveis, entre serpentes e orquídeas observadas por elfos e ninfas. Fauna e flora em festa, refletida na minha retina águia, que se espalha no espelho das águas.
voo solamente solo, e no solo nada de seca, sinto o cheiro umidecido e verde da floresta fresca e seus talos tenros.
e ave de rapina, avisto um homem. o único. me atraio. sobrevoo, rodeio. ataco. direto no coração.
(...)
talvez fosse ele, quem soubesse me amar... e incondicionalmente fosse a sua única condição, pra toda e qualquer forma rendinção.


(eu não matei o amor?)
.
(sheyladecastilhoº
.

Willien Nidden - Flá Perez


Era um viking assim diferente,
quase elegante.

Um whitman que, de repente
pediu pra cuidar de mim
e nada ficou como antes.

Por certo causou - me estranheza
esse deus meio hyppie,
poeta caeiro,
com jeito de príncipe.

Mas ele foi como veio:
mansa mancha amarela
no olho pisado

de azul fera.

8.11.09

Sonhei contigo



Você é como o Cartel de Medellín
Que não foi fundado por Pablo Escobar
E nunca me deixou falar das drogas
Que cometi por você e por mim,

E da minha parte onírica que você ignorou
Dali sonhou ínfimas imagens douradas
Anarquistas monarquistas delatoras
Das incertezas apuradas,

O que te arde agora?
As cores que não consegue decifrar
Ou as incertezas que te proporciono
Quando interrogada decido me calar?

Só queria te contar:
- Sonhei contigo.

CELESTIAL


o anjo desliza entre arpejos
azuleja meu cinza
não discuto nem arquejo
ouço meio enleado o beijo
.

espio pelas tiras da tua fala enluarada
que despenca em poesia
cansado deslindo selvas de versos
me aninho nas entrelinhas
.

dissimulado assalto teus olhos
em meio às violentas palavras que desfiam
árduas epopeias
dessa lira extasiada
que servem apenas para descortinar
meus nadas e para sedento
ter teu seio na mão
minha pele grudada na tua

a língua afinando os sonidos
dessas vozes em sustenido
que anseiam pelo atemporal


(rosa cardoso)
imagem : land os shadows III hazel soan

7.11.09

Sem Meias Palavras - Duplo


Não gosto de
Meias palavras
Por isso
Anda, vem
Devore-me inteira
E nem se dê ao trabalho
De decifrar enigmas
E deixe que eu, simplesmente
Te coma...



Não me venha falar de amor
Agora, nem dos meus doces

Olhos de jabuticaba madura
Tão pouco me faça carícias

Lânguidas e demoradas
Não percebe que estou

Cansada de suas firulas?

Venha, num rompante, depressa
E me pegue com força
Coloque-me de quatro

Na sala desarrumada e

Foda-me sem meias palavras!


Patrícia Gomes
Imagem: Hans Neleman

5.11.09

De Lobo a Cordeiro

(Foto Google search)

Às pontas dos dedos
do falo, da língua
levas inteiro delírio meu

estala um desdém
que não me convence

quando sobes ao topo do mundo
peito inflado, por trás
de tênue camada de pêlos

é coisa de macho!
bem sei e adoro

a feição bruta do mau
que almoça donzelas
e janta as putas

tapa na cara
unhas nas ancas
conduz o alucinado
vai-e-vem
dos coitos bandidos

morres um pouco mais
a cada gozo

entregas

entre minhas coxas
sem luta

o manso jazido.

Agatha R.

4.11.09

Diagnóstico - Flá Perez

Ela é uma mulher muito ocupada.

Acorda, olha através,
além dos olhos da vidraça.

E se esforça,
antes que lhe escape o mote,
em pensar algo
que lhe baste um pouco

- quem sabe um choque
nos que esperam mais
dessa mulher muito ocupada
e forte -

Cansam-me sóis repetidos,
vidraças, garoas, edifícios...

O dia vai administrá-la
mal vesti-la,
agenda-la
come-la rápido no drive-thru da esquina.

Mas ela chega em casa
e ainda precisa aproveitar a noite
para se encher de olheiras
e copiar os mortos

(phodiam mais que ela).

Não é à toa que entre seus dedos
caibam apenas
vidraças repetidas, frias,
novamente sóis, estrelas,
luzes da cidade

e espera.

poemicídio



não há poema que descreva, o que se passa nesse vácuo agudo que eu sinto no meu peito.
e eu, não encontro mais respostas no silêncio que pronuncia em seus versos, para as perguntas que te lanço e não te alcançam. e sei, te cansam.
existem outras cores de olhares que me atraem, mas se dispersam e se distraem, quando as busco no lusco fusco de monólogos desconexos.
essa mulher que sob refletores domina a multidão, é a mesma que se desmonta no breu solidão.
não há poema que eu faça que transmita, que não há amor no mundo que resista a qualquer falha de atenção. e eu não busquei isso. eu, isso não.
eu fui pra longe e tão pra dentro de mim mesma, para provar que o amor é o banquete e nunca, jamais a sobremesa.
me ofereci pra tua ceia em noite de lua nova, mas tua barriga estava cheia e você cheio de prosa. você há tempos é meu fogo, e talvez por isso que me seque. a rosa.
e só porque pelo que sinto eu tenho fidelidade, eu ainda bebo as lágrimas da minha vontade e nos raros dias, em que sempre distante eu mais me afasto, eu estática atesto: que eu te provoco e te testo, porque eu te amo e eu te detesto.
e por mais explícita que eu sempre seja, você não me entende, porque não mais deseja e me desdenha como quem descarta restos.
e eu, a quem aplaudem e chamam de poeta, ainda me exponho nos meus gastos versos. eu sei, ultimamente tenho pecado pelo excesso.
mas, se você quiser exterminar tua consistente constância de meus poemas, que o faça agora!
seja meu algoz, o meu caçador... estou de peito aberto, mate esse amor!
mas quando encarar o raso dos meus olhos, e o nada de brilho lhe for indigesto, que por mim pela última vez, você se entregue... te peço esse último gesto.

seja um réu confesso.
.
(sheyladecastilhoº
.

3.11.09

Fuga (para Wassily Kandinsky)


(Fuga, de Kandidinsky)


resvala na sequência
dos sons que embatem
à imagens verbais
prestes a se calar
diante da sodomia
que recolhe a venta
e respira para morrer

entrega-se ao bugre
ao cheiro de terra
entranhas ancestrais
evocadas pela vilania
que travam-se abstratas
em seu olho absurdo
que irrompe a linha
de colisão.

2.11.09

Sonhos mofados




Os meus sonhos
Mofaram na cesta
Do café de amanhã,

Minha boca calou-se
E o sorriso esvaneceu
Hoje, após o jantar,

O olhar sem lume
Vaga,

A doçura que ainda restava
Paga,

Não há precipício
Ou lugar propício
Para as mágoas,

Talvez se afoguem
No rio Tietê,

Eu, Marginal
Dos meus
Sonhos

Sangrarei com
Três cortes
De cada lado
Para que seus
Desejos
Fluam.



Imagm: google

Chuva de papel


Três safiras... três rojões...

Trinta e três estouros de canhões!!!

Três Serafinas... três pagãos...

Três sequências de apagões

Três margaridinhas, três Marias...!

Três barras de parafina.

Três trovões...

Três rainhas...

Três irmãos...

Três por onze, ex_clamações.

Rosangela_Aliberti
Galeria de Bruno Farias ~ Flickr